quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Expedição Família Nunes Sá pelo Caminho Velho da Estrada Real




Após algum tempo de planejamento e de tentativas frustradas, no mês de janeiro de 2017, entre os dias 15 a 22, minha família e eu, realizamos um dos trechos da Estrada Real. Trilhamos, no Jimny, o Caminho Velho que liga Ouro Preto/MG à Paraty/RJ. 



Como o blog está há muito tempo sem postagens e por ter uma blogueira a ser desafiada (leia-se, Robertinha), tentarei através deste canal, relatar um pouco da minha aventura pelo caminho em que os portugueses levavam o ouro usurpado de Minas Gerais! 

Início da nossa expedição

Saímos de João Monlevade às 9 da manhã do dia 15/01 (domingo), sentido Ouro Preto, passando pela belíssima Catas Altas. 

Muito ansiosos e um tanto quanto inseguros, iniciamos, por volta de 12:30, nossa expedição em Ouro Preto, após pegarmos os passaportes e o primeiro carimbo.  

Vista de Ouro Preto



O primeiro trecho planilhado (Ouro Preto- São Bartolomeu- Glaura) foi abortado. Ainda não consegui descobrir se a trilha é indicada apenas para trekking, bike e cavalo ou se é possível fazê-lo em um 4x4. Aliás, esta é minha maior reclamação de toda a viagem: a falta de conhecimento e informações do Centro de Atendimento ao Turista de Ouro Preto sobre a Estrada Real. 

Desta forma, por estarmos sozinhos, achamos mais prudente seguirmos pelo asfalto até o povoado de Glaura e de depois para a cidade de Santo Antônio do Leite, onde pegamos o segundo carimbo.

Igreja Nossa Senhora de Nazaré/ Santo Antônio do Leite

Fizemos o percurso Miguel Burnier até Lobo Leite.



Igreja Matriz Nossa Senhora da Soledade/ Lobo Leite

De Lobo Leite, sempre seguindo as planilhas e os totens da ER, rumamos até Congonhas (3° carimbo), onde almoçamos, por volta das 14:30. 

Alguns trechos entre Lobo Leite à Congonhas

Basílica do Senhor Bom Senhor de Matosinhos/ Congonhas

Próximo trecho, passamos pelo povoado Alto Maranhão e Pequeri.

Ruínas de uma antiga cadeia pública/ Alto Maranhão

Trecho em Pequeri

Passamos rapidamente pela cidade de São Brás do Suaçuí, mas pelo transcorrer das horas e para evitar pegar estradas de terra a noite, o trecho Entre Rios- Lagoa Dourada- Prados (4°, 5° e 6° carimbos, respectivamente) foi realizado pela rodovia. Chegamos em Prados por volta das 19:30, onde pernoitamos.

Igreja Nossa Senhora das Brotas/ Entre Rios

Igreja Matriz de Santo Antônio/ Lagoa Dourada

No segundo dia, saindo de Prados após o café da manhã, recomeçamos a trilhar por volta das 10:00. Sentido Tiradentes (7° carimbo), conhecemos o povoado Bichinhos, um lugar que terá nossa visita em breve.

Igreja Nossa Senhora da Conceição/ Prados

Igreja Nossa Senhora da Penha/ Bichinho- Tiradentes

Paisagem natural em Bichinho
Povoado de Bichinho














Igreja Matriz de Santo Antônio/ Tiradentes
Entre Tiradentes e São João del Rei (8° carimbo), passamos pelo município de Santa Cruz de Minas, onde podemos apreciar e nos refrescarmos na cachoeira Bom Despacho. O local é Área de Preservação Ambiental (APA da Serra de São José). O bioma abriga orquídeas raras, rica fauna e cerca de 50% de todas as libélulas conhecidas no Estado de Minas Gerais e, também, cerca de 18% das espécies de libélulas que ocorrem no Brasil; deste último fato originou a criação, pelo governo mineiro, através do Decreto n.º 43.908, de 5 de novembro de 2004, do "Refúgio Estadual de Vida Silvestre Libélulas da Serra de São José". (fonte: www.patriamineira.com.br)


Cachoeira Bom Despacho/ Santa Cruz de Minas























No local também, temos o Totem considerado como o marco zero do Projeto Estrada Real.


Chegamos em SJDR às 13:00 e seguimos viagem sentido à São Sebastião da Vitória. 

Igreja São Francisco de Assis/ São João del Rei

Paróquia São Sebastião da Vitória

O próximo trecho é em estrada de terra e vai até Caquende, passando pelo marco 1000 da ER.



Totem n° 1000 da Estrada Real em Caquende

Igreja Nossa Senhora do Carmo/ Caquende

Para chegar em Capela do Saco, tivemos uma aventura à parte - travessia de balsa pela represa de Camargos.



Capela Nossa Senhora da Conceição/ Capela do Saco

Parada e descanso programado na nossa Expedição: Chegamos em Carrancas (9°carimbo) ainda com Sol. E por lá, ficamos 3 dias para nos deleitarmos nas belas cachoeiras e inúmeras atrações que a cidade oferece!

Chegada em Carrancas
Igreja Matriz Nossa Senhora da Conceição das Carrancas

Na realidade, não sabíamos se chegaríamos à Paraty e, há muito tempo queria retornar ao paraíso, em forma de cachoeira, chamado Carrancas. Sendo assim, reservamos três diárias numa confortável pousada na cidade para aproveitarmos alguns dias de férias e descanso!

No segundo dia em Carrancas, fomos para o Complexo da Zilda, um verdadeiro parque aquático natural há 12 km do centro. Aproveitamos na ocasião, o Escorregador da Zilda. Lugar muito divertido e com água gelada, mas que vale a pena pela adrenalina e gargalhadas!























No terceiro dia, visitamos a Cachoeira da Fumaça, os Poços Esmeralda e Três Irmãos.

Cachoeira da Fumaça: primeira queda

Cachoeira da Fumaça: segunda queda

Trilha para os poços Três Irmãos e Esmeralda


















Se faltasse disposição/ $$$$$$$, retornaríamos para casa tendo aproveitado até no momento, bastante nossa viagem.







Poço Esmeralda
























Na quinta-feira (19/01), mesmo tendo uma pequena indisposição intestinal (kkkkkkk sempre acontece!), mas com espírito de aventura revigorado, seguimos em frente! 


Partindo de Carrancas, no sexto dia de expedição, com direção à Cruzília, conhecemos a Fazenda Traituba, erguida no início do século XIX, para receber D. Pedro I. Visita que nunca aconteceu.

Fazenda Traituba

Em Cruzília (10°carimbo), valeu a visita no Museu do Manga Larga Marchador.

















Igreja São Sebastião Mártir/ Cruzília

Rumamos para Baependi (11°carimbo), onde almoçamos e seguimos pro Circuito das Águas.

Igreja Nhá Chica/ Baependi
Igreja Matriz Nossa Senhora do Montserrat/ Baependi
























Em Caxambu (12°carimbo) e São Lourenço (13°carimbo) passamos muito rapidamente apenas para coletar os carimbos, mas já pensamos em curtir, em outro período de férias, todo o Circuito das Águas.

Selfie com meu amigo em Caxambu


Forte chuva entre Caxambu e São Lourenço

Vista de São Lourenço
















Pelo avançar do dia, preferimos abortar o trecho de estrada de terra entre Pouso Alto (14°carimbo) à Passa Quatro (17°carimbo). Conhecemos as cidades Itamonte (15°carimbo) e Itanhadu (16°carimbo), mas fizemos pelo trecho urbano. Pousamos em Passa Quatro, no Distrito de Tronqueiras.

 Igreja Matriz Nossa Senhora da Conceição/ Pouso Alto

Paróquia de São José/ Itamonte 

Igreja Matriz Nossa Senhora Da Conceição/ Itanhandu
Igreja Matriz de São Sebastião/ Passa Quatro
























No sétimo dia, três estados: Partimos de Passa Quatro e chegamos em Guaratinguetá (18°carimbo) debaixo de um "pé-d'água", que nos fez, por precaução, seguir pelo asfalto até Cunha (19°carimbo), onde almoçamos.


A cidade de Guaratinguetá se destaca pelo turismo religioso envolvendo visitas à casa de Frei Galvão, ao seminário do Santo, a Igrejas como a "Catedral de Santo Antônio" e a "Igreja de Frei Galvão. 

Frei Galvão (Guaratinguetá, 1739 — São Paulo, 23 de dezembro de 1822) foi um frade católico e primeiro santo nascido no Brasil. Frei Galvão foi Canonizado pelo Papa Bento XVI em 11 de maio de 2007, durante a visita do pontífice ao Brasil. A comprovação oficial e o anúncio foi feito em 16 de dezembro de 2006. (fonte: http://www.saofreigalvao.org.br/) 
Catedral de Santo Antônio/ Guaratinguetá (SP)

 Igreja Matriz Nossa Senhora da Conceição/ Cunha (SP)

De Cunha à Paraty, último trecho do Caminho Velho, passando pelo Parque Nacional da Serra Bocaina, não poderia deixar de fazê-lo de jeito nenhum. Então, mesmo chovendo muito, como desafio pessoal e final, encaramos de frente!








Parque Nacional Serra da Bocaina

Igreja Nossa Senhora da Penha/ Paraty (RJ)

Totem Caminho do Ouro/ Paraty (RJ)
Chegamos em Paraty, por volta das 16 horas, onde pegamos o último dos 20 carimbos. 


Igreja de Santa Rita/ Paraty (RJ)
Carimbos do Caminho Velho

Agradeço aos amigos pelas dicas, mas agradeço principalmente a Daniela Paiva Nunes, companheira FIEL e aventureira, pelo apoio certo nos momentos certos! Por saber a hora de palpitar quando era hora de palpitar. De saber a forma certa de tolerar os "stresses" que sugiram. Enfim, sempre ponderando da forma mais sensata e serena em minhas loucuras pela ER. 



Obrigado, Dandan! Te Amo e te aguardo em todas as minhas aventuras!

quarta-feira, 25 de maio de 2016

Resumo da Semana

Quando alguém sabe sintetizar 569 msg no zapzap e demostra um pouco da personalidade dos amigos! Show de bola, Presidente!

Robert: - Bom dia! Paz e amor para todos. Faça amor, não faça guerra ✌

GS: - Sábias palavras meu amigo Pé de Couve
 
Thiago: - GS, frouxo!

Robert: - Comunista

Robert: - Bom dia Boca de Gole

Thiago:  Vai trabalhar não Cheirador de Linguiça???

Robert: - Vou dar uma linguiça pra vc cheirar !

Thiago:  "dedo do meio" "dedo do meio" "dedo do meio" "dedo do meio"

GS: 😂😂😂😂😂

GS: General Amigão

Robert: - TQ Moleque soltador de bombinha💥

GS: - Daqui a pouco ele tá soltando outra coisa 👌🙊

Thiago: "dedo do meio" "dedo do meio"
"dedo do meio"

Thiago: - GS Frouxo

Thiago: - Que dia vai levar o Mijão pra trilha GSF???

GS: - Só vou pra trilha com ele no dia q o General for comigo. Do meu lado 🙊

 Thiago: - Frouxo

Robert: - Não ando com comunistas. Vai cheirar linguiça .

GS: - Mais tarde, agora tô dando aula.

Japa: - PQP. Vcs num trabalham não !?

Maurinho: 😂😂😂😂😂

Thiago: "dedo do meio" Fica queito aí JC. Japa Cagao

Robert: - TQ Moleque.  Boca de Gole

GS: - General Gay

Thiago: - GSF Frouxo!!!

GS: - Thiago Café Aguado

Robert:  - Vai plantar café

Robert: - Moleque

GS: - Se TQ for plantar café eu num vou não

Maurinho: -Onde vocês vão plantar café? Tb quero ir mas tô perdido. É perto de Bela Vista depois de BH?

Thiago: - O Maurinho vou almoçar aí hoje

Maurinho: - Trás Café

GS: - Café aguado. Compra não 🙊

Thiago: - GS Frouxo

Robert: - Moleque

Thiago: - General Gay

GS: - Fala assim do meu amigo GG não

Thiago: GSF "dedo do meio" "dedo do meio"

Robert: - Moleque

GS: - TQ do Café Aguado


Repita os últimos 7 comentários até o fim do dia e pronto!

quarta-feira, 16 de março de 2016

Sobre Anjos e Crianças II





Semana puxada, semana triste...

Um domingo nublado, um domingo que parece não acabar...

Dias como estes, não desejo a ninguém!

Acho que nunca fui uma criança e adolescente muito sociável. Por isto, meu leque de amizades nunca foi muito grande. Alguns poucos, os caminhos da vida nos fez desencontrar... vida adulta é complicada!

Na Geografia fiz uma penca de bons companheiros. Porém,  grandes amigos, daquela época, dá para contar com dedos de uma mão!

Bom... o tempo passa... responsabilidades aumentam... vida de adulto é corrida!

Vida de adulto é corrida, mas tem hora para desacelerar! E escolhi correr no máximo 30 km/h! Escolhi as aventuras 4x4!

No princípio, sozinho, fui me arriscando! Mas boas aventuras têm que ter companhias. E de repente, me vi cercado por um bando de loucos pelo offroad. Me vi cercado de bons amigos!

Todos são especiais, mas um era ANJO! Um anjo transvestido de CRIANÇA peralta!


Me lembro do nosso primeiro encontro (nesta vida). É um mala... um chato... um gozador! Acho que é por isto que se tornou tão AMIGO! Estes adjetivos cabem em mim também.



Me lembro da nossa primeira trilha juntos! 

Me lembro de quando você conheceu minha família. E de quando conheci a sua!

Você me acolheu, muito rápido, como amigo. (E sei que acolheu outros também!) 

Você se tornou um protetor, um guru, um camarada estimado por todos daqui de casa!

Mas você me deixou triste! Muito triste! Outrora me fez "mijar" de rir... Mas hoje, eu chorei por você!

Só hoje consegui chorar! Estava engasgado. Chorei, chorei mas meu coração ainda está apertado! 

Não consigo digerir a ideia de não te ver mais, meu companheiro! 

Não consigo imaginar enfrentar meus medos das trilhas sem você para me guiar, ora rindo, ora gritando, ora elogiando! Aliás... me pergunto: "quem me fará um jipeiro de verdade?" 



É triste, amigaoooo! Mas siga... siga sua trilha eterna ao lado do bom Deus!

Você será eternamente lembrado por mim... lembranças de suas peripécias, lembranças de suas gargalhadas, lembranças de nossas conversas!

Vá com Deus, amigo Lindon Jonson. Vá com Deus...







segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Geólogos estudam uso do Aquífero Guarani para aliviar crise

Seca no Sistema Cantareira, em São Paulo: geólogos estudam utilização do Aquífero Guarani

São Paulo - Geólogos da Universidade de São Paulo (USP) elaboram um estudo para saber se é possível retirar água do Aquífero Guarani para abastercer a região de Piracicaba, aliviando o Sistema Cantareira.

A proposta é analisar a viabilidade da construção de 24 poços artesianos no município de Itirapina, região oeste do estado, onde o aquífero pode ser acessado de forma rasa.

A análise será apresentada, em aproximadamente um mês, ao comitê criado pelo governo estadual para administrar a crise hídrica no Cantareira. Hoje (27), o sistema chegou a 13% da capacidade de armazenamento, após o início da utilização da segunda cota do volume morto.

O professor Reginaldo Bertolo, do Instituto de Geologia, explica que o estudo inclui a simulação, por meio de um modelo matemático, da extração de 150 mil litros de água por hora.

“Queremos avaliar se o aquífero suporta essas vazões em longo prazo”, apontou. A análise baseia-se em um artigo publicado em 2004 por um grupo da Universidade Estadual Paulista (Unesp).

De acordo com o trabalho, a região de Piracicaba fica distante cerca de 60 quilômetros (km) em linha reta, o que diminui os custos de um transporte da água direta para a capital.

Outra vantagem é que o desnível geográfico entre as regiões de captação e consumo favorece o deslocamento.

Mesmo em fase de pré-viabilidade técnica, Bertolo acredita que essa pode ser uma alternativa interessante para o abastecimento de parte da região que deveria receber água do Cantareira.

Ele destaca, no entanto, que é preciso fazer o uso sustentável dessa água para evitar novas crises. “A gente precisa ter a recarga no aquífero para que ele continue dando água. Se a gente tiver em longo prazo a certeza de que a chuva vai continuar caindo e o aquífero recarregado, uma vazão de 1 metro cúbico por segundo é uma vazão segura”, apontou.

O Aquífero Guarani é a maior reserva estratégica de água doce da América Latina.

Atualmente, o aquífero abastece a maior parte das cidades do oeste paulista. “Observe que a crise de abastecimento de água está mais crítica nos municípios do centro-leste do estado”, avaliou.

Isso ocorre, segundo Bertolo, porque eles têm maior segurança hídrica com a água oriunda dos aquíferos Bauru e Guarani.

Entre os municípios abastecidos dessa forma, o professor destaca Ribeirão Preto, São José do Rio Preto, Araçatuba, Presidente Prudente, Marília, Bauru, entre outros.

Ele explica que a profundidade das águas subterrâneas exige tecnologia complexa de engenharia, similar à utilizada para encontrar petróleo, para cavar os poços profundos.

Fonte: http://exame.abril.com.br/brasil/noticias/geologos-estudam-uso-do-aquifero-guarani-para-aliviar-crise

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Resultado da eleição pode afetar relação com EUA?

Muitos afirmam que Lula continuou a  macro-política-econômica de FHC, outros afirmam que Dilma não conseguiu suceder os projetos do seu antecessor. E o psdbista mineiro, se eleito? Vai romper, totalmente, com os projetos brasileiros no âmbito comercial? Pelos discursos, será que o netinho do vovô romperá com o Mercosul? Será que se renderá aos EUA?

Washington crê que não e analistas entendem que Dilma e Aécio adotarão medidas parecidas em relação ao comércio bilateral entre os países.

Resultado da eleição pode afetar relação com EUA?
Alessandra Corrêa
De Winston-Salem (EUA) para a BBC Brasil
Para analistas ouvidos pela BBC Brasil, diferenças entre Dilma e Aécio em relação aos EUA são pequenas

Mais de um ano depois das revelações sobre o alcance da espionagem dos Estados Unidos no Brasil, as relações entre os dois países ainda estão longe de um reaquecimento, e há pouca expectativa em Washington de que haja mudanças profundas após a eleição presidencial brasileira.

Apesar de verem alguns sinais de abertura por parte do governo Dilma Rousseff (candidata à reeleição pelo PT) e a possibilidade de um diálogo mais intenso na área de comércio caso Aécio Neves (candidato do PSDB) seja eleito, analistas americanos afirmam que as diferenças entre os dois candidatos são pequenas no que se refere às relações bilaterais.

"As expectativas em relação a Dilma ou Aécio são bem menos distantes do que se poderia pensar", disse à BBC Brasil o cientista político Matthew Taylor, da American University, em Washington.
"A grande questão é: um governo Aécio traria um grau maior de mudança (nas relações bilaterais) do que o visto sob o PT? E eu não estou certo disso", afirma.

Para Taylor, parte da explicação está no próprio histórico dos dois países, que constantemente se posicionam em lados opostos em questões como os recentes conflitos na Líbia, na Síria ou na Ucrânia.

"Há um problema nas relações entre Brasil e EUA que está mais enraizado do que qualquer escândalo em particular", afirma.

"Acho que o Brasil é historicamente desconfiado da hegemonia dos EUA. E isso não é algo do governo do PT, isso vem desde os anos 1950 ou até antes, tem a ver com questões de soberania e autodeterminação na política externa", ressalta.

Espionagem e algodão
O mais recente abalo nas relações bilaterais ocorreu no ano passado, quando informações vazadas por Edward Snowden, ex-técnico da Agência de Segurança Nacional dos EUA (NSA, na sigla em inglês), revelaram que empresas brasileiras e a própria presidente Dilma haviam sido alvo de espionagem americana.

Após o escândalo, Dilma cancelou a visita de Estado que faria a Washington. Desde então, a reaproximação entre os dois países tem sido lenta.

No início deste mês, o anúncio de um acordo para encerrar uma disputa comercial de mais de uma década provocada pelos subsídios pagos pelos EUA a seus produtores de algodão foi visto como um passo positivo, mas ainda insuficiente para deixar o mal-estar completamente para trás.

"Creio que o sentimento, tanto em Brasília quanto em Washington, é de que a questão da NSA, o cancelamento da visita de Estado, tudo isso ainda está muito no ar", disse à BBC Brasil o cientista político Riordan Roett, diretor do programa de estudos da América Latina da Universidade Johns Hopkins, em Washington.

Para Roett, o problema nas relações bilaterais não é uma questão de antagonismo, mas sim de oportunidades perdidas.

"Não parece haver uma agenda comum. No nível burocrático, tenho certeza de que tudo funciona perfeitamente bem. Estamos falando de vistos, esse tipo de questão técnica. Mas em termos mais amplos de geopolítica, nas questões importantes, simplesmente não parece haver muito diálogo", afirma.

Comércio
Uma das poucas diferenças mencionadas por brasilianistas entre um novo governo Dilma ou um eventual governo Aécio no que se refere à relação com os EUA estaria nas perspectivas para o comércio.

"Acho que o único setor em que pode haver uma distância maior entre um governo Dilma ou um governo Aécio é o comércio. Especialmente se Aécio estiver disposto, como parece, a se afastar do Mercosul", afirma Taylor.

Mas mesmo nesse ponto, a expectativa sobre possíveis mudanças é vista com cautela.

"A grande questão em Washington neste momento é até que ponto o Brasil estaria realmente disposto a se comprometer com um acordo ou uma aproximação em relação ao comércio", afirma Taylor.

O cientista político ressalta que, apesar de algum tipo de acordo bilateral de comércio ser considerado "uma boa ideia em princípio", haveria várias dificuldades. "O diabo está nos detalhes", diz

Ideologias
De um modo mais geral, porém, a ideia em Washington é a de que, seja quem for o eleito, as relações bilaterais devem se manter no clima atual.

"Os EUA vão ter de lidar com o Brasil de um jeito ou de outro. É um país grande", disse à BBC Brasil o economista Mark Weisbrot, codiretor do centro de estudos econômicos Center for Economic and Policy Research, em Washington.

"Terão relações decentes com quem quer que seja o eleito", afirma Weisbrot.

Os analistas lembram que uma peculiaridade nas relações entre os dois países é o fato de que sua qualidade não costuma ser reflexo da ideologia dos ocupantes da Presidência.

"Acho que a grande ironia dos últimos 20 anos das relações entre Brasil e EUA é que alguns dos melhores momentos ocorreram sob o comando de presidentes ideologicamente muito diferentes, como a (boa) relação entre Luiz Inácio Lula da Silva e George W. Bush. E alguns dos momentos mais tensos ocorreram sob presidentes que pareciam ideologicamente mais próximos", ressalta Taylor.
http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2014/10/141020_eleicoes2014_relacao_eua_ac_cq

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Manifestações Pró-democracia em Hong Kong

Mais um movimento separatista eclode na Ásia: A ex-colônia britânica, Hong Kong, está passando por uma onda de manifestações pró-democracia há pelo menos duas semanas. O protesto já é o maior desafio do governo chinês desde o movimento pró-democracia da Praça da Paz Celestial de 1989.

Manifestantes pró-democracia resistem e erguem barricadas em Hong Kong
Dezenas de milhares bloqueiam ruas apesar de pedido do líder da região por um fim imediato dos protestos. China apoia maneira como autoridades do território autônomo estão lidando com "atos ilegais"
por Deutsche Welle — publicado 30/09/2014 09:42

Manifestante pró-democracia erguem barricadas e ignoraram o apelo do chefe do Executivo de Hong Kong, Leung Chun-ying, que pediu um fim imediato para os protestos

Dezenas de milhares estenderam o bloqueio a ruas de Hong Kong nesta terça-feira 30, estocando alimentos e erguendo barricadas improvisadas, indicando que se preparam para uma longa permanência no local. Os manifestantes pró-democracia ignoraram o apelo do chefe do Executivo de Hong Kong, Leung Chun-ying, que pediu um fim imediato para os protestos.

Ao se manifestar publicamente pela primeira vez desde que a polícia usou gás lacrimogêneo contra os manifestantes no fim de semana, Leung disse na terça-feira que os protestos organizados pelo movimento Occupy Central estavam "fora de controle" e pediu que "parassem a campanha imediatamente".

Os líderes das manifestações rejeitaram as demandas de Leung e continuam pedindo que ele deixe o governo. "Se Leung Chun-ying anunciar sua renúncia, esta ocupação será interrompida ao menos por um curto período de tempo, e decidiremos sobre os próximos passos", disse o cofundador do Occupy Central, Chan Kin-man.

Leung disse que "atos ilegais", como classifica os protestos, não conseguiriam fazer com que o governo central chinês mudasse sua decisão sobre as regras eleitorais em Hong Kong. Os manifestantes querem o direito de escolher livremente seus candidatos, mas Pequim insiste em limitar as eleições de 2017 a um número restrito de nomes fiéis ao governo, com temores de que os apelos pró-democracia se espalhem para outras áreas de seu território.

Espera-se que os protestos ganhem ainda mais força na quarta-feira, o Dia Nacional da China. Representantes do Occupy Central estimam que 100 mil pessoas vão se juntar às manifestações na noite de terça para quarta-feira.

Também circulam rumores de que os policiais estariam se preparando para agir novamente. Após ter usado spray de pimenta e gás lacrimogêneo contra os manifestantes no domingo, a polícia recuou na segunda-feira para aliviar as tensões.

China e Reino Unido
A China disse apoiar a maneira como as autoridades de Hong Kong estão lidando com os protestos. "Acreditamos totalmente no governo da Região Administrativa Especial de Hong Kong e o apoiamos para lidar com esse problema", disse o porta-voz do Ministério do Exterior, Hua Chunying. "Somos contra qualquer ato ilegal em Hong Kong."

O presidente chinês, Xi Jinping, não se manifestou sobre os protestos. Entretanto, a mídia estatal chinesa afirmou na terça-feira que Pequim não recuará diante dos protestos. "O governo central não recuará só por causo do caos criado pelos oposicionistas", escreveu o Global Times.

Ao mesmo tempo, o primeiro-ministro britânico, David Cameron, disse estar extremamente preocupado sobre os enfrentamentos entre a polícia e milhares de manifestantes em Hong Kong. Quando perguntado se sentia uma obrigação de se manifestar sobre eventos em Hong Kong, o premiê disse: "É claro que sim".

A China governa Hong Kong através de uma fórmula de "um país, dois sistemas", que confere à ex-colônia britânica relativa autonomia e liberdades das quais os chineses não desfrutam, com o voto universal estabelecido como um eventual objetivo.

"Quando chegamos ao acordo com a China, havia detalhes neste compromisso sobre a importância de dar à população de Hong Kong um futuro democrático dentro dessa abordagem de dois sistemas [...], então, é claro que estou extremamente preocupado com o que está acontecendo e espero que o problema possa ser resolvido", declarou Cameron.

A agitação em Hong Kong é a pior desde que a China retomou a ex-colônia britânica, em 1997. O porta-voz Hua repreendeu as declarações de outros países sobre as manifestações. "Pedimos cautela às partes estrangeiras e que elas não interfiram em assuntos internos da China de maneira alguma."
http://www.cartacapital.com.br/internacional/manifestantes-pro-democracia-resistem-e-erguem-barricadas-em-hong-kong-6214.html


Manifestantes suspendem tentativa de diálogo em Hong Kong
Líderes de um grupo de estudantes pró-democracia em Hong Kong adiaram negociações com o governo após manifestantes se envolverem em brigas com oponentes.
3 outubro 2014

Manifestantes suspenderam negociação com governo após serem atacados por opositores
O grupo afirmou que o governo está falhando em proteger os manifestantes. Eles estão descontentes com planos da China de vetar candidatos para a eleição para Chefe Executivo de Hong Kong.

A ex-colônia britânica está passando por uma onda de manifestações pró-democracia há pelo menos duas semanas. O protesto já é o maior desafio do governo chinês desde o movimento pró-democracia da Praça da Paz Celestial de 1989.

O movimento foi iniciado por estudantes que posteriormente recebeu o apoio de ativistas do grupo Occupy Central, que prega a desobediência civil em uma luta pró-democracia.

A China marcou a primeira eleição do Chefe Executivo de Hong Kong para 2017, mas no fim de setembro estabeleceu normas para poder controlar quem poderá se candidatar – deflagrando a onda de protestos.

Desde que foi entregue pela Grã-Bretanha ao Estado chinês em 1997, Hong Kong goza de liberdades especiais concedidas por Pequim. Seu Chefe Executivo, Leung Chun-ying foi escolhido pela última vez em 2012 por meio de um conselho.

Chun-ying fez uma proposta de negociação aos manifestantes depois que eles começaram a clamar por sua saída do cargo.

Porém tumultos foram iniciados na quinta-feira quando grupos de pessoas aparentemente descontentes com a paralização do centro de Hong Kong tentaram desmontar tendas e barricadas.

Promessa quebrada
A Federação de Estudantes de Hong Kong, que foi convidada a participar de negociações com o governo na quarta-feira, afirmou em comunicado que havia "adiado" as conversas. Mas uma nova data não foi divulgada.

"O governo deixou a máfia atacar os participantes do (movimento) Occupy. Ele interrompeu o caminho para o diálogo e deve se responsabilizar pelas consequências", afirmou o grupo.

"O governo não cumpriu sua promessa. Nós não temos escolha exceto adiar a negociação".

Porém não ficou claro se o comunicado reflete a posição de outros grupos envolvidos no protesto.

O líder do movimento Occupy Central, Benny Tai, afirmou à BBC que seu grupo ainda estava considerando um boicote às negociações. Mas disse também que a situação de ataques contra os manifestantes não poderia continuar.

"Nesse ponto é muito, muito difícil manter qualquer senso de diálogo se o governo não impedir que essas coisas aconteçam com manifestantes pacíficos", disse. O governo não se manifestou sobre o adiamento.

Apenas uma brincadeira
No distrito commercial de Mong Kok, na península de Kowloon, oponentes dos manifestantes tentaram desmontar as tendas.

Mais tarde, manifestantes pró-democracia se concentraram na área superando largamente em número seus oponentes, segundo o correspondente da BBC Martin Patience.

Eles começaram a cantar: "Voltem para o continente". Muitos ativistas suspeitam que os opositores do protesto tenham sido organizados pelos governos da China ou Hong Kong.

Contudo, só a sua presença é um lembrete de que nem todos em Hong Kong estão apoiando os manifestantes, segundo o correspondente.

Segundo Patience, parte dos opositores parecem ser residentes locais furiosos com a paralização.

"Eu não apoio o Occupy Central. Nós temos que trabalhar para fazer dinheiro. O Occupy é só uma brincadeira", disse um trabalhador da construção civil identificado apenas como Lee, em uma entrevista à agência de notícias AFP.

"Nos devolvam Mong Kok, nós de Hong Kong precisamos comer", disse outro homem.

Conflitos semelhantes ocorreram em Causeway Bay, na ilha de Hong Kong, onde residentes tentaram remover barricadas armadas por manifestantes pró-democracia.

Os escritórios governamentais na área dos protestos foram fechados e os funcionários foram orientados a trabalhar em suas casas.

http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2014/10/141002_hong_kong_impasse_lk

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Por que o Brasil parou de crescer?


Por que o Brasil parou de crescer?
Ruth Costas
Da BBC Brasil em São Paulo
Atualizado em  15 de setembro, 2014 - 06:02 (Brasília) 09:02 GMT

Agora é oficial: o Brasil parou de crescer. É verdade que a desaceleração não ocorreu de repente. Nos últimos três anos, o PIB teve uma expansão tímida de 2,7%, 1% e 2,5%, respectivamente, menor do que na década de 2000 e 2010, quando, mesmo com duas crises financeiras internacionais, o crescimento médio foi de 3,7% ao ano.

Mas foi o anúncio do IBGE de que a economia brasileira teve uma retração de 0,2% no primeiro trimestre e 0,6% no segundo que parece ter feito até o governo admitir que o país chegou em uma encruzilhada.

"Gostaria que o Brasil estivesse crescendo em um ritmo mais acelerado", reconheceu a presidente Dilma Rousseff.

O dado levou Dilma a prometer mudanças em sua política e equipe econômica em um eventual segundo mandato e analistas "do mercado" revisaram suas expectativas de expansão do PIB para este ano pela 15ª vez consecutiva - para 0,48%.

Segundo o serviço Broadcast, da Agência Estado, até a estimativa oficial do governo, de um crescimento de 1,8% em 2014, já estaria sendo revista - embora não esteja claro para quanto, especialmente depois da ligeira recuperação da economia em julho, registrada no índice IBC-Br, do Banco Central.

A questão é que se há consenso de que temos um problema, suas causas ainda estão longe de ser unanimidade.

O governo atribuiu a freada ao contexto internacional desfavorável e uma onda de "pessimismo" em parte motivada por questões políticas.

Ao explicar o caso específico dos números negativos do segundo trimestre, também culpou os feriados da Copa do Mundo pela queda da atividade de setores como varejo e indústria.

Já economistas, analistas de mercado e consultorias apontam erros na condução da política econômica – também destacados por candidatos da oposição.

Numa tentativa de mapear esse debate, a BBC Brasil fez uma compilação das "hipóteses" sobre o que, afinal, teria contribuído para empurrar o país desse patamar de 3,7% de crescimento para o que internacionalmente se convenciona chamar de "recessão técnica". 

Confira abaixo o resultado:

Contexto Internacional
Há certo consenso de que o cenário externo não ajudou o Brasil nos últimos anos, ao contrário do que ocorreu na década passada - embora o governo atribua a esse fator um peso muito maior que economistas críticos da atual política econômica.

"Vivemos um período muito diferente daquele em que a economia mundial crescia 4,4% e todos comiam o mamão com açúcar da globalização", resumiu, em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, o presidente da Vale, Murillo Ferreira.

Em 2010, ano em que o país cresceu 7,5%, a expansão da economia internacional foi de 5,2%.  Já em 2014, a estimativa é que cresça 3,3% segundo o FMI e 2,7% segundo a ONU. Em 2013, o crescimento foi de 2,3%. Essa mudança de contexto afetaria desde o nível das exportações, até a atração de investimentos e expectativas dos investidores domésticos. 

O país também estaria sofrendo os efeitos da desaceleração da China e da queda no preço das commodities no mercado internacional.

"Mas também é preciso considerar os limites dessa influência do cenário externo", opina Alessandra Ribeiro, economista da consultoria Tendências.

"Mesmo com um cenário desfavorável, outros países conseguiram crescer muito mais que o Brasil, por exemplo."

De 2011 a 2013, o PIB dos países latino-americanos cresceu 3,1% ao ano em média. A média da Aliança do Pacífico - Colômbia, Peru, Chile e México - foi de 4,6%, e a dos emergentes, de mais de 5%.

Já o Brasil cresceu a um ritmo de 2% ao ano.

Deterioração da Expectativa
Outra hipótese sobre a qual há certo consenso diz respeito às "expectativas negativas" que estariam achatando os investimentos.

O governo, porém, tem dado a entender que esse "pessimismo" seria politicamente motivado enquanto consultorias econômicas e analistas do mercado o atribuem às incertezas ligadas à condução da política econômica.

"O mesmo pessimismo que se tinha em relação à Copa está havendo em relação à economia brasileira. E no caso da economia é mais grave, porque a economia é feita de expectativas", disse Dilma recentemente.

Na entrevista à Folha, o presidente da Vale, Murilo Ferreira, parece ter endossado o argumento governista sugerindo que haveria um "Fla-Flu" político entre a administração do PT e o mercado financeiro e industriais de São Paulo.

"A política em São Paulo está muito rancorosa", disse.

Para Marcelo Moura, economista do Insper, porém, "é bobagem" pensar que os empresários deixariam de investir para "atrapalhar" o governo.

"Os empresários e investidores querem retorno: vão investir sempre que calcularem que podem obter lucro com isso. Imagina se iriam arriscar seus ganhos por questões políticas ou ideológicas", diz ele.

"A questão é entender por que essas expectativas estão tão negativas. Por que os empresários não estão investindo? E aí a resposta estará provavelmente ligada às incertezas provocadas pela péssima condução da política econômica", opina.

Abandono do “tripé”
Essa é uma hipótese defendida por economistas críticos ao governo: a de que o suposto abandono do chamado "tripé" macroeconômico, teria contribuído para a desaceleração.

O termo refere-se à política que combina metas fiscais, metas de inflação e câmbio flutuante - adotada para garantir a estabilidade da economia no final dos anos 90, quando o sistema de câmbio fixo ruiu.  A lógica é que, com a flexibilização dessa política, a inflação corroeria a renda das famílias e os empresários hesitariam em investir.

Durante o governo Dilma, anunciou-se a transição para a chamada "nova matriz econômica", que combinaria juros baixos, taxa de câmbio "competitiva" e uma "consolidação fiscal amigável ao investimento e ao crescimento", nas palavras do secretário de Política Econômica da Fazenda, Márcio Holland.

Segundo economistas ortodoxos, o fato de o Banco Central (BC) ter sido obrigado a voltar a elevar os juros seria uma prova do fracasso da "nova matriz".

O governo nega, porém, que o "tripé" tenha sido "substituído". Diz que, apesar de a inflação rondar os 6,5%, está dentro da meta definida pelo BC, de 4,5% com tolerância de 2 pontos percentuais para cima e para baixo. Ao menos oficialmente, também garante que a meta de superávit primário, de 1,9% do PIB, ainda pode ser alcançada.

Para economistas como Ribeiro, da Tendências, e Mauro, do Insper, o grande problema é como as metas têm sido atingidas nos últimos anos.

Mauro diz que, no caso das metas fiscais, o governo vem lançando mão da chamada "contabilidade criativa" - manobras contábeis que fariam parecer que se estaria economizando recursos, quando na realidade isso não ocorreria. Por exemplo: o tesouro faz repasses ao BNDES, que empresta para estatais, que pagam dividendos ao governo. Os dividendos entram como receita, mas os repasses não são contabilizados como despesas.

No caso das metas de inflação, Ribeiro faz coro com economistas que denunciam a represa de preços administrados, como energia e combustíveis, para segurar o índice.

"Isso tem criado uma série de desequilíbrios", diz ela. "A Petrobras, por exemplo, deve ter sua capacidade de investimento afetada por não poder repassar a alta de seus custos aos consumidores."

Desgastes do Modelo
De acordo com os defensores dessa hipótese, na segunda metade dos anos 2000, o país teria crescido em função do aquecimento do seu mercado interno e medidas de estímulo ao consumo, mas teria faltado empenho para a ampliação dos investimentos. O resultado seria o desgaste desse "modelo de crescimento baseado em consumo".

De fato. Nos últimos três anos o nível dos investimentos na economia brasileira caiu do patamar dos 19,5% do PIB - já considerado baixo - para cerca de 17%.

"O governo achava que, ao estimular o consumo, os investimentos viriam naturalmente e não foi o que ocorreu", acredita Ribeiro, da Tendências. "O resultado foi uma inflação de demanda, por falta de produtos."

Em um primeiro momento, medidas anticíclicas ligadas à expansão do crédito e gastos do governo ajudaram a evitar que o Brasil fosse duramente atingido pelos efeitos da crise internacional de 2008, como explica André Biancarelli, economista da Unicamp.

Mesmo Michael Reid, colunista da revista liberal Economist e autor deBrasil: A Ascensão Turbulenta de uma Potência Global, admite que tais políticas foram efetivas em 2008 e 2009.

"Mas as medidas de estímulo deveriam ter sido interrompidas uma vez que a economia começou a se recuperar", opina Reid. "Se o governo tivesse rapidamente voltado a focar no superavit fiscal a partir de 2010, as taxas de juros e a inflação seriam hoje menores e o Brasil estaria crescendo mais."

Já Biancarelli discorda da tese do "esgotamento do modelo de crescimento baseado em consumo". Para ele, o dinamismo do mercado interno brasileiro é um dos trunfos do país em seus esforços para retomar o crescimento - e impor medidas que reduzam esse dinamismo seria "arriscado".

Problemas Estruturais
Por essa hipótese, o maior problema não seria o que o governo fez nos últimos anos, mas o que deixou de fazer.

A ideia é que a única forma de garantir o crescimento do PIB no médio e longo prazo teria sido reduzir os problemas estruturais que afetam a competitividade das empresas brasileiras - como a complexa burocracia e sistema tributário do país, as deficiências de infraestrutura e a escassez de mão de obra qualificada.

Sem reformas de peso nessas áreas, seria esperado que, cedo ou tarde, o crescimento arrefecesse. "Temos problemas de logística graves, um sistema tributário intrincado e uma legislação trabalhista anacrônica", diz Helio Zylberstein, economista da USP.

"Sem resolver questões como essas será difícil fazer avanços na produtividade das empresas brasileiras - o que é essencial para retomarmos o crescimento".

Para Mauro, do Insper, se continuar a adiar as reformas e investimentos para amenizar esses problemas, o Brasil pode abandonar o sonho de ser um país desenvolvido. "Não dá para querer ser desenvolvido crescendo 3% em ano em que a economia vai bem", opina.

"Precisamos passar para o patamar dos 5%, 6% de crescimento, ou mais - e sem desatar esses nós estruturais isso nunca vai ocorrer."

http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2014/09/140905_brasil_parou_entenda_ru.shtml