domingo, 4 de maio de 2014

Marco Civil da Internet

Galerinha, semana retrasada foi sancionada pela Dilma o Marco Civil da Internet. 

O que me chamou a atenção foi que, alguns grupos Anti-PT apontam que esta Lei é a "censura da internet". Entrei em contato, via FB, com um destes grupos - Anonimos Brasil https://www.facebook.com/anonimos.brasil.5?fref=ts, para entender melhor tal posicionamento, mas até a data desta postagem, não recebi nenhuma resposta. 

No geral, pesquisei, vi algumas reportagens, inclusive no Jornal da Cultura e pelas minhas análises, penso que o Brasil foi o precursor neste quesito, dando exemplo para o resto do mundo. O uso (leia-se: o mal uso), os crimes, o comércio, enfim, tudo referente a mundo www foi regulamentado por lei, o que permite mais segurança e rigor para aqueles que desvirtuam o ciberespaço. 

Selecionei quatro textos que apesar de serem de fontes distintas (uma governamental, uma mais técnica, uma neutra e uma da Globo hahaha), os pontos de vistas são parecidos. Não encontrei nenhum documento que faça crítica severa ao texto do Marco Civil e se alguém tiver lido ou que tenha argumentos plausíveis poste aí sua opinião ou o link para poder analisar.

Boa Leitura, meus lindos!!!

23/04/2014 - 14h25 Especial - Atualizado em 23/04/2014 - 16h14
Sancionada a lei do marco civil da internet
A presidente Dilma Rousseff sancionou, nesta quarta-feira (23), a lei do marco civil da internet, aprovada na noite de terça (22) pelo Senado Federal. A sanção aconteceu durante a abertura do Encontro Global Multissetorial sobre o Futuro da Governança da Internet - NET Mundial, em São Paulo.
 Dilma sanciona nova lei durante abertura da Net Mundial, em São Paulo
No discurso de abertura da conferência, que trouxe ao Brasil representantes de mais de 80 países para discutir o futuro da governança da internet, Dilma agradeceu o empenho do Senado em aprovar “a legislação em tempo recorde”. Ela referiu-se em especial ao senador Walter Pinheiro (PT-BA), presente no evento, e ao deputado Alessandro Molon (PT-RJ), relator do Marco Civil na Câmara dos Deputados. Também citou os senadores Vital do Rêgo (PMDB-PB) e Zezé Perrella (PDT-MG), relatores nas Comissões de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) e Comissão de Ciência e Tecnologia, Inovação, Comunicação e Infomática (CCT); e o senador Ricardo Ferraço (PMDB-ES), que apresentou o parecer da Comissão de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle (CMA) no Plenário do Senado.
Dilma Rousseff defendeu a liberdade de expressão e a privacidade na rede mundial de computadores.
— No Brasil, cidadãos, empresas, representações diplomáticas e a própria Presidência da República tiveram suas comunicações interceptadas. Esses fatos são inaceitáveis. Eles atentam contra a própria natureza da internet,  democrática, livre e plural. A internet que queremos só é possível em um cenário de respeito aos direitos humanos, em particular à privacidade e à liberdade de expressão — disse Dilma.
O marco civil da internet traz os princípios, garantias, direitos e deveres para internautas e provedores na rede mundial de computadores no Brasil. Entre os princípios estão a garantia da liberdade de expressão, a proteção da privacidade e dos dados pessoais, a neutralidade da rede e a liberdade dos modelos de negócio.

http://www12.senado.gov.br/noticias/materias/2014/04/23/sancionada-a-lei-do-marco-civil-da-internet


APROVADO PELA CÂMARA

Especialistas alertam para pontos polêmicos do Marco Civil

A discussão em torno da aprovação, pela Câmara dos Deputados, do Marco Civil da Internet ficou por conta das regras polêmicas que foram mantidas no texto. Entre as mais citadas pelos advogados consultados pela ConJur foram em relação a neutralidade de rede, responsabilidade civil dos usuários e localização de data centers.
O PL 2126/2011, com 32 artigos, estabelece direitos e deveres para usuários e provedores e foi aprovado nessa terça-feira (26/3) na Câmara. O projeto segue agora para votação no Senado Federal. Mesmo após a aprovação, alguns pontos aguardam regulamentação específica por meio de decretos, como a própria neutralidade da Rede e os procedimentos para apuração das infrações dos provedores de conexão.
O governo federal abriu mão da tentativa de obrigar que provedores tenham data centers no Brasil para armazenar dados de navegação em território nacional, com o objetivo de facilitar o acesso a informações em casos específicos.
O advogado Caio Lúcio Montano Brutton, especializado em Direito das Relações de Consumo e sócio do Fragata e Antunes Advogados, considera o projeto positivo, porque ratifica garantias constitucionais, como a livre concorrência, a defesa do consumidor e a proteção da privacidade. “Foi, enfim, suprimida a esdrúxula e inócua ideia de manutenção de data centers em solo brasileiro, para armazenamento de dados”, diz.
Nesse caso, segundo Fábio Pereira, sócio do Veirano Advogados, o intuito do artigo 25, inciso VII, era o de permitir ao governo o rápido acesso aos dados de navegação dos infratores, que ainda devem ser armazenados. No entanto, “a dificuldade técnica da instalação dessa infraestrutura no Brasil, bem como reclamações de alguns setores, levaram o Plenário a reconsiderar tal medida, de modo que as empresas não precisarão fazer altos investimentos na criação de tal infraestrutura, desde que dados estejam acessíveis se requeridos judicialmente”, afirmou.
Em relação a neutralidade da rede, a Câmara determinou que os usuários sejam tratados da mesma forma pelas empresas que gerenciam conteúdo e pelas que vendem o acesso à internet. O relator do projeto, deputado Alessandro Molon (PT-RJ), mudou trecho que concede à Presidência da República o poder de regulamentar exceções à neutralidade da rede por decreto. Essa possibilidade ficou restrita a exceções citadas expressamente na lei: serviços de emergência e por razões técnicas, com submissão à Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e ao Comitê Gestor da Internet.
Sobre a responsabilidade dos provedores pelos conteúdos publicados, outra polêmica do texto, o substitutivo manteve o entendimento de que eles só serão considerados responsáveis por ofensas na rede caso descumpram ordem judicial mandando retirar o conteúdo. A exceção fica para imagens e vídeos com cenas de nudez ou sexo. Nesse caso, as empresas serão responsabilizadas subsidiariamente por conteúdo veiculado por terceiros se ignorarem notificação apresentada por um participante da cena em questão ou por seu representante legal.
Segundo Fábio Pereira, até hoje, a apuração de atos ofensivos e a atribuição de responsabilidade pelos danos causados na internet vem sendo discutida caso a caso, de modo que a lei oferece pouca segurança com relação aos limites da responsabilidade de cada um dos provedores de serviços, entre eles provedores de acesso, provedores de conteúdo ou de aplicações.
Dessa forma, de acordo com o advogado, as empresas que atuam no meio digital estarão amparadas por maior segurança jurídica já que os artigos 19 a 21 da versão aprovada o projeto preveem que não se iniba a liberdade de expressão, mas explicitam quais as consequências para a violação de direitos por terceiros — o provedor de acesso ou de conteúdo deverá ser notificado judicialmente para a retirada do conteúdo ofensivo, sob pena de responsabilização, sem prejuízo à extensão da aplicação de sanção ao terceiro causador do dano.
A advogada Tânia Aoki Carneiro, do Marinangelo & Aoki Advogados, defende a revisão da questão sobre responsabilidade dos provedores pelos danos decorrentes de conteúdo gerado por terceiros. O texto estabelece que o provedor somente será responsável se, após ordem judicial, não tomar as providências para tornar indisponível o conteúdo ofensivo.
“Ao invés de conduzir a questão para o Poder Judiciário, deveria ser incorporado o entendimento no sentido de que, ao ser comunicado da existência de texto ou mensagem ofensiva, o provedor deve retirar o material do ar imediatamente, sob pena de responder solidariamente com o autor direto do dano.” De acordo com a advogada, esse entendimento da matéria preservaria os direitos do ofendido, sem a necessidade de intervenção do Poder Judiciário, “devendo serem sopesados os casos em que houver dúvida a respeito da ilicitude do conteúdo”, afirma.
Segundo o advogado Marcelo Tostes, sócio fundador do escritório Marcelo Tostes Advogados, a regulação genérica de pontos como a responsabilização solidária de provedores por conteúdo publicado por usuários e terceiros, o arquivamento de informação privada e a obrigação de guarda de dados em aplicativos, gera insegurança jurídica e aumenta os custos para todas as empresas atuantes no setor, “inclusive as estrangeiras, que terão que adaptar seus serviços exclusivamente para atender a uma legislação que ainda não estabelece de forma clara como os seus objetivos básicos, elencados no artigo 2º, devem ser atendidos”. O especialista considera, assim, que o Senado deve recepcionar o projeto “com cautela, para melhor aparar as arestas e lacunas que ainda permanecem, de forma a proteger direitos de todos os envolvidos – dos usuários aos provedores”.
O advogado Omar Kaminski citou também o artigo 15 que determina a necessidade do provedor de serviços de aplicativos guardar registros dos usuários por seis meses, e os provedores de conexão por um ano. Porém é vedado ao provedor de conexão a guarda de registro de acesso a aplicativos.
Segundo ele, essa exigência é necessária para a identificação de ilícitos cibernéticos por exemplo, mas em vários casos servirá para identificar coisas, e não efetivamente pessoas. “É um projeto ainda anacrônico no quesito privacidade, porque de um lado a defende e reforça, e de outro oferece potenciais vias de desrespeito ou violação a intimidade por essa via do "grampo", do quem fez o que, e quando", disse.
Em nota, o Google disse que sempre apoiou o Marco Civil da Internet, “resultado de um rico debate que levou a um projeto de lei moderno, composto de princípios reconhecidos globalmente.” Segundo a empresa, o resultado poderá se consolidar como um “sólido arcabouço para fomentar uma Internet livre e equilibrada, terreno fértil para inovação e liberdade de expressão, que contempla adequadamente todos os participantes do ecossistema online, assegura a proteção da rede, fomenta a inovação online e protege os direitos dos usuários”, afirmou.
O presidente do Instituto dos Advogados de São Paulo (IASP), José Horácio Halfeld Rezende Ribeiro, afirmou que uma lei como esta deve evitar o conflito com a Constituição Federal, o Código Civil e o Código de Defesa do Consumidor. Ele lembra que muitos pontos destacados nos eixos constantes no site criado pelo Ministério da Justiça, como, por exemplo, a inviolabilidade do sigilo da correspondência e comunicações, já têm proteção, inclusive constitucional. “No que tange ao direito ao anonimato, o artigo 5º, inciso IV da Constituição Federal, é explícito ao estabelecer que ‘é livre a manifestação de pensamento, sendo vedado o anonimato’”, observa.
*Notícia alterada às 9h50 do dia 27 de março de 2014 para correção de informações.

http://www.conjur.com.br/2014-mar-26/especialistas-alertam-pontos-polemicos-marco-civil-internet

Entenda as polêmicas sobre o Marco Civil da Internet
Atualizado em  26 de março, 2014 - 09:27 (Brasília) 12:27 GMT
A Câmara dos Deputados aprovou na terça-feira o projeto de lei do Marco Civil da Internet – uma espécie de "constituição" que vai reger o uso da rede no Brasil.
A questão vem sendo debatida no Brasil desde 2009, mas emperrou em alguns pontos, como o da neutralidade dos dados na internet, o armazenamento de dados no país e a questão da responsabilidade dos provedores sobre conteúdos produzidos por terceiros.
O Marco Civil proíbe o acesso de terceiros a dados e correspondências ou comunicação pela rede. Ele também busca garantir a liberdade de expressão e a proteção da privacidade e dos dados pessoais.
Um ponto-chave é a chamada neutralidade da rede, que evita a discriminação da informação. Ou seja, os provedores não poderão dar prioridade a um determinado tipo de dado ao transmiti-lo aos clientes, bloqueando a possibilidade de censura.
O projeto também pretende resguardar o direito de expressão dos internautas, ao prever que o conteúdo publicado só seja retirado após ordem judicial. Há exceções, como em casos de racismo, pedofilia ou violência.
O projeto agora segue para o Senado e, em seguida, para a sanção presidencial.
Confira abaixo perguntas e respostas sobre o Marco Civil da Internet e sua votação na Câmara.
O que é o Marco Civil da Internet?
O projeto de lei 21626/11 – conhecido como Marco Civil da Internet – é um projeto de lei que estabelece princípios e garantias do uso da rede no Brasil. Segundo o deputado Alessandro Molon (PT-RJ), autor da proposta, a ideia é que o marco civil funcione como uma espécie de "Constituição" da internet, definindo direitos e deveres de usuários e provedores da web no Brasil.
O marco civil proíbe o acesso de terceiros a dados e correspondências ou comunicação pela rede. Ele também busca garantir a liberdade de expressão e a proteção da privacidade e dos dados pessoais.
Molon ressalta que o marco civil é "apenas um primeiro passo em direção a uma legislação sobre internet no país", mas que não encerra o assunto.
"É uma espécie de lei guarda-chuva, uma lei maior debaixo da qual virão depois outras leis regulando ou determinando áreas específicas da internet, como por exemplo o comércio eletrônico."
Por que demorou tanto para ser votado?
A questão já esteve perto de ser votada diversas vezes na Câmara, mas isso sempre acabou sendo adiado.
Entre os pontos de discórdia que emperraram as discussões, há dois que se destacam. O primeiro diz respeito à questão da chamada neutralidade da rede, que veta a venda de pacotes que restrinjam o acesso à internet. O segundo ponto recai sobre a polêmica sobre o armazenamento de dados dos usuários no Brasil, ainda que a empresa seja estrangeira.
O que é o artigo 20 e por que ele está dividindo a bancada?
Escândalo de espionagem fez Dilma pedir 'data centres' no Brasil, mas pedido não foi incluído
O artigo 20 acabou sendo uma espécie depièce de résistance dos opositores do Marco Civil na Câmara. Ele trata da responsabilidade dos provedores de conexão sobre o conteúdo produzido por outros sites ou pessoas.
O projeto aprovado pelos deputados determina que os provedores só podem ser responsabilizados civilmente por danos decorrentes de conteúdo de terceiros depois de ser expedida uma ordem judicial específica.
Se for aprovado como está pelo Senado e pela presidente Dilma, os provedores não responderão por aquilo que seus internautas fizerem na rede. Isso só aconteceria se as empresas não acatarem uma ordem judicial.
Defensores do projeto dizem que esse artigo é crucial por garantir a liberdade de expressão aos usuários da internet, já que ele acaba com a chamada censura privada, em que as empresas privadas decidiam, elas mesmas, se determinado material deveria ficar online ou não.
Para líder do PMDB, deputado Eduardo Cunha (RJ), opositor ao artigo, somente com uma notificação do ofendido, a empresa já deva ser responsabilizada caso não retire o conteúdo.
Por que a neutralidade da rede gerou tanto debate?
O projeto aprovado na Câmara proíbe totalmente os provedores de internet de vender planos que façam diferenciações no tráfego de dados ou que selecionem o conteúdo a ser acessado. Com a aprovação do Marco, ficou vetado por exemplo, a venda de um pacote permitindo utilizar somente acesso a e-mails e sites de notícias.
O princípio é que as empresas não podem fazer distinções no tráfego de dados em suas redes por conteúdo, origem, destino ou serviço, tratando todo tipo de dado da mesma forma.
Algumas empresas de telecomunicação queriam poder vender pacotes de assinatura de internet, inclusive para celular, limitando o acesso a alguns sites, como redes sociais. Isso permitiria cobrar mais caro para que os celulares tenham acesso a mídias sociais.
Na redação final do projeto na Câmara, ficou determinado que, para regulamentar o tema, a Presidência deverá ouvir a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e o Comitê Gestor da Internet (CGI). A versão anterior dizia que isso poderia ser feito apenas com um decreto presidencial, sem consultas extras.
Por que houve polêmica sobre armazenamento de dados?
Segundo a proposta inicial de Molon, o Executivo poderia obrigar que operadoras de internet e sites de grande porte - caso do Facebook ou Google - armazenem todo seu banco de dados no Brasil, ainda que a empresa fosse estrangeira e tivesse somente uma "filial" no país.
No entanto, entre os pontos retirados na versão final aprovada pela Câmara, está o fim da exigência dos chamados "data centres" no Brasil para armazenamento de dados.
Os direitos dos usuários
Sigilo de comunicações (exceto em casos de investigação criminal)
Não suspensão da conexão (exceto por falta de pagamento)
Manutenção da qualidade da conexão
Contratos claros com as operadoras de internet
Não fornecimento a terceiros sobre registros de conexão à internet
A presidente Dilma Rousseff incluiu no texto original esse ponto após o escândalo da espionagem da NSA (Agência Nacional de Segurança dos Estados Unidos).
A intenção do governo, bastante criticada, era a de impedir que os dados fossem estocados em servidores estrangeiros, como é hoje efetivamente, a fim de dificultar o acesso desses dados por serviços de inteligência.
Pelo projeto de lei, quais são os direitos dos usuários?
Os usuários de internet no Brasil têm direito a:
Inviolabilidade e sigilo de suas comunicações. Só ordens judiciais para fins de investigação criminal podem mudar isso;
Não suspensão de sua conexão, exceto em casos de não pagamento;
Manutenção da qualidade contratada da sua conexão;
Informações claras nos contratos de prestação de serviços de operadoras de internet, o que inclui detalhes sobre proteção de dados pessoais;
Não fornecimento a terceiros sobre registros de conexão à internet.
E quais são os deveres do provedor?
Os provedores são obrigados a manter os registros de conexão sob sigilo em ambiente seguro por um ano. Esses dados só podem ser disponibilizados por ordem judicial.
O Marco Civil estabelece que a guarda de registros seja feita de forma anônima. Ou seja, os provedores poderão guardar o IP, nunca informações sobre o usuário.
Quem responde pelo conteúdo publicado na internet?
Os usuários respondem pelo conteúdo que publicam.
Os provedores de acesso (responsáveis por oferecer o serviço de conexão à internet aos usuários) não podem ser responsabilizados por danos decorrentes de conteúdo gerado por usuários.
Já os provedores de conteúdo – no caso, quem administra os sites da internet – só serão responsabilizados caso não acatem no prazo correto decisões jurídicas específicas de retirar do ar conteúdos gerados pelos usuários.
O que o Marco Civil fala sobre os governos?
O Marco defende que os governos em todas as instâncias devem dar prioridade a tecnologias, padrões e formatos abertos e livres; divulgar publicamente dados; desenvolver ações de capacitação para o uso da internet; e estabelecer mecanismos de governança transparente.
O projeto de lei também diz que o governo deve usar a internet para promover a educação e o fomento cultural.
Como surgiu o projeto de lei?
As discussões começaram a partir de um texto elaborado em 2009 pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), uma entidade civil sem fins lucrativos formada pelo governo, acadêmicos, empresários e terceiro setor. O CGI.br coordena iniciativas de serviços de internet no país.
O documento foi alvo de diversas consultas públicas entre outubro de 2009 e maio de 2010 e passou por sete audiências públicas em quatro das cinco regiões do Brasil (não houve consulta no Norte). Isso deu origem ao projeto 2126/11, conhecido como "Marco Civil da Internet".
O projeto de lei que cria o Marco Civil da Internet chegou ao Congresso Nacional em 2011 de maneira inédita. O projeto apresentado pelo Executivo foi feito de maneira colaborativa, após uma extensa consulta da sociedade civil por meio da própria internet.

http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2014/03/140219_marco_civil_internet_mm.shtml

Senado aprova Marco Civil da Internet
Projeto já foi aprovado pela Câmara e seguirá para sanção presidencial.
Governo barrou todas as mudanças propostas para acelerar a aprovação.
Priscilla MendesDo G1, em Brasília
O plenário do Senado Federal aprovou nesta terça-feira (22) o projeto de lei que institui o Marco Civil da Internet, considerado uma espécie de Constituição para uso da rede no país. O texto, que foi aprovado no mês passado pela Câmara dos Deputados, não sofreu alteração de conteúdo pelos senadores e seguirá agora para sanção da presidente da República.
O projeto, que estabelece princípios, garantias, direitos e deveres para internautas e provedores, tramitou por menos de um mês no Senado. A pedido do Palácio do Planalto, os senadores aliados barraram as propostas de alteração sugeridas. Se isso ocorresse, o texto teria que retornar para análise dos deputados, o que adiaria a aprovação.
O governo tinha pressa em aprovar a matéria devido à conferência internacional sobre governança na internet, que será realizada em São Paulo nesta semana. A presidente Dilma Rousseff vai participar do evento nesta quarta e quer levar o Marco Civil como uma das respostas do seu governo às denúncias de que autoridades e empresas brasileiras teriam sido espionadas pela NSA, agência de inteligência dos Estados Unidos.
O projeto, porém, não é recente. Foi enviado em 2011 pelo Executivo à Câmara dos Deputados e só aprovado em 25 de março deste ano após intensa negociação entre parlamentares e Planalto. A chamada neutralidade de rede, princípio considerado um dos pilares do projeto, foi aprovada e passará a vigorar com a sanção da nova lei.
O armazenamento de dados no Brasil, que era considerado uma prioridade para o governo com objetivo de coibir atos de espionagem, não foi aprovado. Essa obrigação já havia sido derrubada pelos deputados para viabilizar a aprovação na Câmara (veja regras abaixo).
No plenário do Senado, a aprovação só foi possível porque os senadores aprovaram um requerimento de inversão de pauta, o que levou o projeto ao primeiro item a ser votado nesta noite. Governistas tentaram acordo com a oposição para dar urgência ao projeto, mas não conseguiram consenso com PSDB e DEM.
A oposição não foi contrária ao Marco Civil da forma como está, mas alegou que o Senado poderia "aperfeiçoar" o texto, segundo afirmou o líder do DEM, José Agripino (RN). "Eu quero só um mês para desatar alguns nós desse Marco Civil da Internet", apelou.
O líder do PSDB, Aloysio Nunes (SP), disse que os senadores têm "um papel a cumprir" na elaboração do projeto e criticou a pressa do governo. "Existe uma disposição do governo de não aceitar nenhuma emenda, estamos proibidos de fazer emenda e, se fizermos, será apenas para constar. Essa é uma atitude autoritária da presidente da República", criticou.
Por outro lado, a ex-ministra da Casa Civil senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) negou "encaminhamento autoritário". "Há tão somente uma matéria importantíssima em pauta", rebateu. "Temos um grande evento acontecendo no Brasil, e é importante que tenhamos uma resposta concreta para regular a internet", afirmou a petista.

Neutralidade
Aprovada junto no projeto, a neutralidade de rede pressupõe que os provedores não podem ofertar conexões diferenciadas, por exemplo, para acesso somente a emails, vídeos ou redes sociais. O texto estabelece que esse princípio será ainda regulamentado pelo Poder Executivo, para detalhar como será aplicado e quais serão as exceções.
Isso será feito após consulta à Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e o Comitê Gestor da Internet (CGI). As exceções servirão para garantir prioridade a "serviços de emergência".
Críticos da neutralidade dizem que o princípio restringe a liberdade dos provedores para oferecer conexões diferenciadas conforme demandas específicas de clientes e que sua aplicação obrigatória pode encarecer o serviço para todos indistintamente. A proposta não impede a oferta de pacotes com velocidade diferenciada.
Retirada de conteúdo
De acordo com o projeto, provedores de conexão à web e aplicações na internet não serão responsabilizados pelo uso que os internautas fizerem da rede e por publicações feitas por terceiros.
Atualmente não há regras específicas sobre o caso e as decisões judiciais variam - alguns juízes punem sites como o Facebook e Google por páginas ofensivas criadas por usuários, enquanto outros magistrados optam por penalizar apenas o responsável pelo conteúdo.
De acordo com a nova legislação, as entidades que oferecem conteúdo e aplicações só serão responsabilizadas por danos gerados por terceiros se não acatarem ordem judicial exigindo a retirada dessas publicações. O objetivo da norma, segundo o deputado Alessandro Molon, relator do projeto, é fortalecer a liberdade de expressão na web e acabar com o que chama de "censura privada".
Fim do marketing dirigido
Pelo texto aprovado, as empresas de acesso não poderão "espiar" o conteúdo das informações trocadas pelos usuários na rede. Há interesse em fazer isso com fins comerciais, como para publicidade, nos moldes do que Facebook e Google fazem para enviar anúncios aos seus usuários de acordo com as mensagens que trocam.
Essas normas não permitirão, por exemplo, a formação de bases de clientes para marketing dirigido, segundo Molon. Será proibido monitorar, filtrar, analisar ou fiscalizar o conteúdo dos pacotes, salvo em hipóteses previstas por lei.
Sigilo e privacidade
O sigilo das comunicações dos usuários da internet não pode ser violado. Provedores de acesso à internet serão obrigados a guardar os registros das horas de acesso e do fim da conexão dos usuários pelo prazo de seis meses, mas isso deve ser feito em ambiente controlado.
A responsabilidade por esse controle não deverá ser delegada a outras empresas.
Não fica autorizado o registro das páginas e do conteúdo acessado pelo internauta. A coleta, o uso e o armazenamento de dados pessoais pelas empresas só poderão ocorrer desde que especificados nos contratos e caso não sejam vedados pela legislação.
http://g1.globo.com/politica/noticia/2014/04/senado-aprova-marco-civil-da-internet.html

terça-feira, 29 de abril de 2014

Pedal em Tabuleiro... um resgate na memória!

E lá vai eu... propondo um destino para um bando de ciclistas em busca de aventuras... Em nosso grupo "Rolé de Bike" foi aberto sugestões de trilhas para o feriadão da Semana Santa, e eu, como não poderia passar em branco, deixei a minha... cachoeira do Tabuleiro em Conceição do Mato Dentro. Minha proposta era mais uma daquelas planejadas e não executadas, por algum motivo "de força maior" por inúmeras vezes... Mas agora foi!!! 

Neste breve relato tentarei externar meus sentimentos sobre duas rodas. Digo que tentarei por que é FODA a sensação de tudo vivido. E descrever é ainda mais. 

Um antigo professor de filosofia dizia que: "O prazer é supremo quando dá prazer no início, meio e fim." Diríamos que o fim foi um saco... de noite, estrada esburacada e voltar dirigindo mais 200 km é uma peleja... mas chegamos bem. 

Mas voltemos ao início... Conseguimos pelos grupos no Face e do Zapzap fechar o grupo e os carros. Eu, Japa (Willian), Marlon e Alisson - companheiros feitos pelo pedal. Sem mágoas, porém com um certo tom de "deixa pra lá", despedimos daqueles que queriam "melar" nossa aventura. 

Noite antes, tudo no jeito e carro abastecido.




Na Saveiro e no Fox, às 6:00 partimos para a aventura. Estrada do Forninho, bikes penduradas e GPS ligado, #partiutabuleiro. Caminho longo... mais longo do que aquele no nosso "conselheiro Google".

Paradas pro lanche e fotos, depois de 200 km chegamos ao nosso destino.

Bikes a postos, é hora de trilhar... subidas fortes e logo no início e alguns já apresentavam cansaço, né Japa?
Subimos em estrada de terra por mais uns 12 km e depois de muito suor chegamos a portaria do parque.


A ideia inicial era rumo à travessia Tabuleiro-Lapinha, porém o horário já tardava e, por orientação dos guias locais, fomos desincentivados. A trilha tem muitas entradas e corríamos o risco de nos perdermos. 

Então, seguimos em direção ao pé da queda da cachoeira que batiza o parque. Eu já a conhecia. A última vez que a visitei foi há 13 anos, ainda na saudosa época dos trabalhos de campos pouco pretensiosos, mas bastante enriquecedores e animados da Geografia.  
Foto tirada em 2002 (eu acho...)
Bons tempos!!!

E fomos marchar... mais 3 km de trilhas a pé...
A paisagem é reveladora e ao mesmo passo instigante... As subidas e descidas maltratam os joelhos...
Mas somos surpreendidos todo o tempo com a delicadeza da Serra do Tabuleiro...


A cachoeira está próxima, e podemos apreciar ainda mais sua beleza...
  
Belezas raras por sinal...
No caminho, podemos conversar... podemos conhecer melhor nossos amigos e a nós mesmo... podemos descansar e descarregar todos os nossos males...

Mas o destino final, a visão do dia ainda estar por vir... e bora lá andar mais... 
E depois de muitas "pedras pelo caminho" chegamos...


E então, a bela fotografia...

E o mergulho, na água gélida, podemos fazer...


Minas Gerais é Isto!!!! 


É isto é muito mais...
Minas é terra de gente... de gente amiga... de gente fina...
De gente faminta... 
Faminta de AVENTURAS e sobre Bikes!!!!


Obrigado amigos ciclistas e gordinhos Willian, Marlon e Alisson por mais esta aventura!!!!

terça-feira, 22 de abril de 2014

Geopolítica da Água: Sistema Cantareira em disputa

Quando se fala em disputas por recursos hídricos, ninguém imaginaria que o Brasil poderia se envolver em tais questões. Isto é, pelo menos parcialmente, um erro. É fato que ainda não entramos "em vias de fato" com nenhum outro país, mas temos algumas discussões em pauta com nossos vizinhos do Mercosul, como por exemplo, sobre o uso do Aquífero Guarani. 

Internamente, poderíamos imaginar e apontar o Sertão nordestino como a única área que sofre com o stress hídrico, mas o problema está bem mais próximo... o estado do RJ e SP e seus governantes estão soltando farpas pelo uso conciliado das águas da Bacia/Sistema Cantareira. Minas também está envolvido na polêmica. Bom lembrar que, em ano de eleição toda esta disputa fica mais aguçada. 

Para trazer a reflexão sobre o tema "Geopolítica da Água" dispus três reportagens. Duas especificamente sobre o que vem ocorrendo no Brasil, na atualidade e um sobre Israel- Palestina e a questão do rio Jordão. 

Boa Leitura...

São Paulo vive pior crise hídrica da história no Dia Mundial da Água
“Se São Paulo recebesse um maior investimento em saneamento, não estaria na atual crise”, diz especialista
publicado 22/03/2014 17:38

São Paulo – São Paulo vive atualmente a pior crise hídrica de sua história. O conjunto de açudes que abastece a cidade está com seu nível de água abaixo de 15% da capacidade, segundo os últimos dados do governo. O chamado Sistema Cantareira, que reúne seis açudes conectados por túneis e canais, tem capacidade para cerca de um trilhão de litros e é a fonte de água que a companhia de saneamento, Sabesp, distribui a 8,8 milhões de residências.
No local onde havia uma imensa reserva, hoje em dia só se vê um vale de terra, segundo constatou a Agência Efe em uma visita realizada hoje (22), quando é celebrado o Dia Mundial de Água. Para fazer frente à crise e amenizar os efeitos da seca provocada pelo verão mais quente dos últimos 70 anos, o governo de São Paulo anunciou nesta semana um plano de emergência para aproveitar as águas do Rio Paraíba, que é a principal fonte de abastecimento do estado do Rio de Janeiro.
O projeto, que o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, apresentou à presidenta Dilma Rousseff, foi imediatamente criticado pelo governo do Rio de Janeiro, que também está preocupado com seu próprio abastecimento. A atual escassez de água contrasta não só com a geografia, mas também com a própria história de São Paulo, cidade que os jesuítas portugueses fundaram para precisamente aproveitar um local com abundância de rios e cursos de água.

Só prendendo muita gente para resolver gestão da água em SP, diz promotor

Um estudo que a ONG SOS Mata Atlântica realizou para lembrar o Dia Mundial de Água mostra que mais de 82% das fontes de água de São Paulo estão com a qualidade inadequada e apenas 18% com qualidade regular. Nenhum dos rios tem uma qualidade de água considerada boa, segundo o relatório.
“A crise em São Paulo não obedece à falta de água. Estamos em uma região com certa abundância de disponibilidade hídrica. A crise é consequência em primeiro lugar da contaminação e depois da exploração insustentável e do esbanjamento”, disse à Agência Efe a coordenadora da Rede de Águas da organização, Malu Ribeiro. Segundo ela, é precisamente a abundância que gera uma mentalidade de esbanjamento e de falta de cuidado, com consequências que a população começa a sentir.
“Se São Paulo recebesse um maior investimento em saneamento, não estaria na atual crise”, diz a especialista ao lembrar que só 37,5% das águas produzidas pelo Brasil recebem algum tipo de tratamento. Malu questiona também que o país dê prioridade ao uso de água para a produção de energia. “Quando se aproveita a matriz energética dos rios para gerar energia se esquece ou se descartam outros usos possíveis”, diz a militante, que cita como exemplo a represa Billings, localizada na própria região metropolitana de São Paulo.
Com uma área total de 1.560 quilômetros quadrados, apenas as áreas marginais da represa são consideradas adequadas para o abastecimento devido a sua função energética prioritária. Uma maior captação de água para o consumo comprometeria o potencial elétrico. A especialista afirma que a crise no Sistema Cantareira pode ser administrada e prevista, e lembra que o sistema tem um histórico de fortes secas, a mais recente em 2001. “Se não é uma novidade para ninguém (a seca), por que não se investe em medidas que possam compensar ou minimizar esses eventos extremos para que não haja situações de crise?”, questiona.
http://www.redebrasilatual.com.br/cidadania/2014/03/sao-paulo-vive-pior-crise-hidrica-da-historia-no-dia-mundial-da-agua-7672.html

20/03/2014 09h09 - Atualizado em 20/03/2014 09h36
Captação de água abre disputa entre governos do Rio e São Paulo
São Paulo propõe a construção de represas no Rio Paraíba do Sul. Secretaria do Ambiente diz que projeto pode agravar situação no RJ.

A captação da água do Rio Paraíba do do sul pra abastecer são paulo abre uma disputa entre São Paulo e o Rio, mostrou o Bom Dia Brasil desta quinta-feira (20). O governo paulista apresentou uma proposta pra usar o rio - que passa por três estados - em épocas de seca no Sistema Cantareira.
O problema, conforme mostrou o jornal, é que o Paraíba do Sul já atende a maior parte dos cariocas e a divisão poderia comprometer o abastecimento para 11 milhões de famílias.
A Agência Nacional de Águas (ANA) ainda não se pronunciou sobre o assunto. Enquanto isso, o Sistema Cantareira, que abastece oito milhões de pessoas na Grande São Paulo vai perdendo água. O sistema está com menos de 15 % da capacidade.
O governo do Rio diz que está fazendo estudos porque teme problemas de abastecimento. O Rio Paraíba do Sul nasce no estado de São Paulo e se estende por Minas Gerais e Rio de Janeiro. Ele abastece 15 milhões de pessoas, sendo 11 milhões no Rio, inclusive na capital.
O projeto do governo de São Paulo é interligar a Represa de Jaguari, abastecida pelo Paraíba do Sul, com a Represa de Atibainha, que faz parte do Sistema Cantareira, a principal fonte de abastecimento da Grande São Paulo. A ligação seria feita num trecho de quase 15 quilômetros, com estação de bombeamento e um túnel num trecho de serra.
Segundo  governador de São Paulo Geraldo Alckmin, quando o Sistema Cantareira estiver com menos de 35% da capacidade, a água será bombeada para lá. E quando o problema for na represa do Rio Paraíba do Sul é ela que poderá receber água do Cantareira.
"Falei hoje com o governador de Minas, o Antônio Anastasia, que é o grande contribuinte para a bacia porque ele mais colobora do que tira, falei com o governador Sérgio Cabral, que entendeu. Nós vamos aumentar a reservação do Paraíba, nós poderemos fazer inclusive novos reservatórios", disse Alckmin.
Segundo o governo de São Paulo, a obra poderia ser iniciada daqui a quatro meses e levaria outros 14 meses para ficar pronta. A estimativa é de que sejam gastos R$ 500 milhões.
Por meio de nota, a Secretaria do Ambiente do Rio de Janeiro, informou que estudos ainda em elaboração, apontam que a disponibilidade hídrica atual já apresenta problemas no período de estiagem. E mesmo que São Paulo construa reservatórios, a proposta de captação de água pode agravar essa situação.
No meio do caminho entre São Paulo e Rio, o Comitê da Bacia do Vale do Paraíba diz que vai estudar a questão.
"É lógico que se houver uma retirada muito grande de água do Rio Paraíba poderá haver desabastecimento. Então, é isso que é discutido", destacou Francisco Carlos, do Comitê.
Já a ambientalista Malu Ribeiro, coordenadora da ONG S.O.S. Mata Atlântica, recomenda cautela.
"Sem ver os estudos, sem uma avaliação ambiental estratégica, sem o estudo de impacto ambiental, não dá para dizer se ele é viável ou inviável", disse a ambientalista.
O governador do Rio, Sérgio Cabral, confirmou que recebeu um telefonema de governador Alckmin e disse que o pedido do governador paulista existe uma análise técnica. Para o jornal O Globo, a Cedae, companhia de água e esgoto do Rio, disse que a captação de água na Represa Jaguari pode afetar o Rio Jaguari, o que provocaria reflexos no abastecimento de cidades do Rio de Janeiro e comprometeria a irrigação das lavouras. A companhia alertou ainda que a medida pode aumentar a chamada língua salina, quando a água do mar invade o curso do rio e destrói as margens.
Estudiosos são unânimes em dizer que a Região Metropolitana de São Paulo, que fica num planalto é muito seca e que os poucos rios que há na região, como o Tietê, estão completamente poluídos.

http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/2014/03/captacao-de-agua-abre-disputa-entre-governos-do-rio-e-sao-paulo.html


Águas e fronteiras na Palestina

Uma lista de conhecidos obstáculos entravam a solução da chamada Questão Palestina: a definição das fronteiras entre Israel e um futuro Estado palestino, o estatuto político da cidade de Jerusalém, o espinhoso tema dos refugiados palestinos e o destino dos assentamentos de colonos judeus na Cisjordânia. Todavia, negligencia-se a importância das divergências sobre o controle de um recurso natural escasso, que são as águas superficiais e subterrâneas de Israel/Palestina.

A Palestina é a região histórico-geográfica que engloba o Estado de Israel e os territórios da Cisjordânia e da Faixa de Gaza. No conjunto da região, ao longo das últimas décadas, a escassez natural do chamado “ouro azul” tornou-se mais dramática com o crescimento acelerado da população e o consequente incremento da pressão sobre os recursos hídricos.

Praticamente toda a porção meridional da Palestina apresenta climas áridos e semiáridos, e os principais recursos hídricos superficiais são representados pela bacia do Rio Jordão, curso fluvial que tem suas nascentes em território sírio, nas estratégicas Colinas de Golã, área onde convergem as fronteiras de Israel, Síria e Líbano.

Com apenas 251 quilômetros de extensão e uma largura máxima de 30 metros, o Jordão tem sentido geral norte-sul e serve como suporte para um importante trecho da fronteira entre Israel e Jordânia. A bacia do Jordão cobre cerca de um terço da superfície da Cisjordânia. Em seu médio e baixo vale, o rio flui sobre terrenos cujas cotas altimétricas estão abaixo do nível geral dos mares, como é o caso de sua foz no Mar Morto, a maior depressão absoluta do mundo (veja o mapa 1).

Essa peculiaridade do Jordão se explica pelo fato de ele fazer parte do segmento setentrional do grande Vale do Rift. Formado cerca de 35 milhões de anos atrás, como decorrência da separação das placas Africana e Arábica, o Rift é um complexo de falhas tectônicas que se estende por mais de 5 mil quilômetros entre a Ásia Ocidental e a África Oriental.

O Jordão é um rio de pequeno débito fluvial. As maiores precipitações ocorrem no alto vale, mas não chegam a mil milímetros anuais. Ao longo de seu trajeto, dois locais chamam a atenção: o Mar da Galileia, ou Lago Tiberíades, e o Mar Morto. Atravessado e alimentado pelas águas do Jordão, o Mar da Galileia e suas circunvizinhanças foram, na Antiguidade, cenários bíblicos ligados à vida de Jesus.

De um ponto de vista geopolítico, o Mar da Galileia têm importância vital para Israel, pois de lá é retirada a água que, através do Aqueduto Nacional, abastece grande parte do país. A contínua e volumosa retirada de água, que se verifica desde a década de 1950, tem contribuído para a diminuição do caudal do Jordão a jusante, afetando áreas da Jordânia, da Cisjordânia e do Mar Morto. 

Este mar fechado se destaca por sua grande salinidade, cerca de dez vezes maior que a encontrada nos oceanos. Fruto de uma conturbada história geológica, o mar é abastecido essencialmente pelas águas do Rio Jordão. Até a década de 1950, o fluxo de água que alimentava o Mar Morto se equiparava à taxa de evaporação, mantendo estável o nível das águas. O uso crescente dos recursos hídricos da bacia por Israel – e, em escala bem menor, pela Jordânia e Síria – reduziram drasticamente o fluxo de água do rio que chegava ao Mar Morto.

Juntando-se a isso a poluição e os efeitos de atividades industriais (extração de sal e fosfatos) e turísticas, o mar perdeu cerca de 30% de sua superfície original. Em 1960, o nível da superfície do mar encontrava-se 395 metros abaixo do nível dos mares; hoje, está a 425 metros, e experimentando rebaixamento de um metro por ano. 

Em 2005, Israel, Jordânia e a Autoridade Nacional Palestina formalizaram um acordo de construção de um duto para transferir água do Mar Vermelho, a fim de evitar o total ressecamento do Mar Morto. O projeto, até agora, não evoluiu. Ambientalistas alertam que ele alteraria a química peculiar do mar e sugerem que o ideal seria recuperar as águas do Jordão.

O volume de água renovável da bacia é de aproximadamente 2,4 bilhões de metros cúbicos; sua utilização crescente já atinge a marca de 3 bilhões. Para suprir esse déficit, a saída tem sido retirar água de lençóis freáticos, que não têm capacidade de reposição na mesma velocidade da retirada. As formas de obtenção de água por meios industriais, como a reciclagem e a dessalinização, são caras e insuficientes.

A exploração dos recursos hídricos regionais representa mais um fator nas complexas disputas sobre algumas áreas da bacia, como as Colinas de Golã e a Cisjordânia, territórios ocupados por Israel na Guerra dos Seis Dias (veja o box). No imaginário israelense, a água tem uma dimensão “filosófica”, ligada à ideia do deserto que floresce e que remonta aos primeiros imigrantes na Palestina, no final do século XIX. Israel enxerga as águas do Jordão sob o prisma da segurança nacional e isso representa um enorme obstáculo para a eventual devolução das Colinas de Golã à Síria e da Cisjordânia aos palestinos.

O tesouro subterrâneo da Cisjordânia

As montanhas da Cisjordânia não são muito altas, mas por sua disposição no sentido geral norte-sul, dividem a região em duas áreas pluviométricas. A parte oeste é mais úmida, e a porção oriental, mais seca. São três os principais aquíferos da região: o ocidental, o do norte e o oriental (veja o mapa 2). 

No aquífero ocidental, as águas escoam em direção oeste e são alimentadas por chuvas. Essa região concentra cerca de 90% do volume pluviométrico da Cisjordânia. O aquífero tem uma série de poços que estão do outro lado da linha verde, isto é, da fronteira israelense definida pela ONU após a guerra de 1948-49. Israel tem o controle sobre 80% desses recursos.

Na área do aquífero do norte, existem também poços localizados do outro lado da linha verde, o que permite a Israel captar cerca de 70% do suprimento de água. O aquífero oriental é o de menor volume de água e não participa do abastecimento de água de Israel, mas tem servido para suprir os assentamentos de colonos israelenses que, desde a Guerra dos Seis Dias, em 1967, vêm se expandindo nessa porção da região. Em linhas gerais, Israel tem sob seu controle cerca de 80% dos recursos hídricos da Cisjordânia.

A construção por Israel do muro de segurança na Cisjordânia, a partir de 2002, assestou um golpe complementar na soberania hidráulica dos palestinos. O traçado do muro separou territórios sob administração da Autoridade Nacional Palestina de poços que eram, há muito, utilizados pela população palestina. Hoje, essa população depende da boa vontade das autoridades israelenses para o uso dos antigos poços.


Fonte: Revista Pangea