domingo, 24 de agosto de 2014

Os podres do nosso lixo

Os podres do nosso lixo
Líder na produção de resíduos per capita no país e sem aterros sanitários, Brasília ainda tenta se livrar do atraso nesse setor
21.ago.2014 17:54:21 | por Lilian Tahan e Paulo Lannes
Lixão da Estrutural: o maior depósito a céu aberto da América Latina (Foto: Roberto Castro)


É comum usarmos mais tempo para acompanhar os últimos lançamentos tecnológicos do que para debater a destinação dos nossos adorados bens de consumo, que se tornaram imprescindíveis na vida moderna. Natural. Queremos olhar para a frente, para o novo, e pensar no velho, no que já não nos serve mais, parece não fazer sentido. Apesar de indigesto, remexer e discutir nossas sobras é mais que um desafio, trata-se de uma necessidade, especialmente no Distrito Federal, endereço do maior lixão a céu aberto do país e recordista nacional na produção de resíduos sólidos urbanos por pessoa.

Vamos ao exemplo do tântalo. Durante décadas, o mineral usado como matéria-prima na confecção de celulares e smartphones era encontrado em abundância na natureza. Os especialistas preveem que em vinte anos as únicas jazidas desse metal serão os lixões e os aterros sanitários, para onde vão os telefones rejeitados. Isso também deve ocorrer com a prata, o cobre e o índio — presentes na tela plana de TVs e computadores. Quando esses minerais voltam para o meio ambiente em forma de resíduos não processados, têm o poder devastador de contaminar lençóis freáticos e espalhar doenças graves, como o câncer.

Um completo estudo sobre o tema foi realizado recentemente pela Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe). Segundo o levantamento, que reúne dados de 2013, cada brasiliense gera por dia 1,5 quilo de lixo. É quase o triplo do índice de Santa Catarina, o dobro do de Minas Gerais, 22% a mais que no Rio de Janeiro e 15% acima da quantidade por habitante do Estado de São Paulo — a média nacional é de 1,04 quilo. Tem mais. Nos reduzidos limites geográficos do DF, são produzidas 4 326 toneladas de lixo por dia, número superior ao dos estados de Mato Grosso, Espírito Santo, Rio Grande do Norte e Maranhão — todos com população maior do que a candanga.
Apesar de a capital ostentar a liderança na fabricação de lixo, ainda está longe de seguir a Política Nacional de Resíduos Sólidos. Neste mês, Brasília passou oficialmente a descumprir várias normas que estabelecem práticas sustentáveis na gestão do lixo. Aprovada em 2 de agosto de 2010, a Lei Federal 12305 prevê, entre outras medidas, que as cidades tinham quatro anos para acabar com os lixões a céu aberto. Mas o que se vê a 10 quilômetros do Congresso Nacional, onde essa legislação foi debatida durante duas décadas, é uma imagem desalentadora. Urubus e catadores ainda lutam pela sobrevivência nas montanhas de sobras descartadas pela população com a maior renda per capita do país. “Eles vivem em situação subumana. Muitos se machucam, adoecem e até morrem. São invisíveis para a sociedade e para o Estado”, afirma o procurador Valdir Pereira da Silva. Há um ano e meio ele conduz pelo Ministério Público do Trabalho um inquérito civil que investiga a atuação de 1 200 catadores no lixão da Estrutural, o maior da América Latina. Segundo o procurador, apenas em 2014 três pessoas perderam a vida nesse cenário. Foram vítimas dos perigos de lidar diretamente com os resíduos, sem acesso a nenhuma infraestrutura de apoio.

Pelas características de país-continente e de potência em desenvolvimento, o Brasil é a terceira nação do planeta que mais acumula lixo. São 189,2 toneladas de sobras por dia. Perde só para a China e os Estados Unidos. Inversamente proporcional às montanhas de restos, no entanto, está a destinação correta desse material. O Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil, elaborado pela Abrelpe, mostra que 41,7% do que é jogado fora no país não passa por um processamento adequado, algo equivalente a 79 000 toneladas por dia. É como se, a cada 24 horas, 158 000 contêineres abarrotados com todo tipo de lixo fossem despejados em lugares impróprios.

Se a situação do Brasil é alarmante, a da região que abraça sua capital está ainda pior. No Centro-Oeste, para cada quilo de lixo gerado, 700 gramas vão para lixões. Em Brasília, 65,8% de tudo o que é rejeitado toma um rumo descabido do ponto de vista da sustentabilidade. “Na capital do país, que deveria dar o exemplo, ainda faltatoda uma rede de infraestrutura por parte do governo, além de mais consciência ambiental da sociedade”, considera o presidente da Abrelpe, Carlos Silva Filho. Ele explica que o lixo é um dos indicadores de prosperidade. Quanto mais poder aquisitivo tiver a população, maior será o consumo e, consequentemente, a quantidade de resíduos produzidos. Silva Filho alerta, porém, que essa lógica não justifica a má administração dos rejeitos. “Se a sociedade cresce economicamente, precisa estar pronta para lidar com seu lixo.”


Entre 8 e 11 de setembro, haverá uma boa oportunidade de olhar exemplos de fora durante o Congresso Mundial de Resíduos Sólidos da Iswa (International Solid Waste Association). O evento, considerado o maior fórum de discussão sobre o tema, ocorrerá pela primeira vez no Brasil, em São Paulo. Durante os debates, representantes de 56 países vão expor experiências bem-sucedidas no tratamento das sobras. A comitiva de Copenhague, por exemplo, apresentará uma referência de como aumentar o potencial do lixo. Na capital da Dinamarca, parte da energia elétrica consumida pela população vem dos resíduos. Lá, o índice de reciclagem é de 50%, um dos maiores do mundo. Em Brasília, que engatinha na coleta seletiva, iniciada há seis meses, esse porcentual chegou a 8,3%. Nesse congresso mundial em São Paulo, os participantes também poderão saber como os austríacos garimparam mais ouro no lixo do que nas minas. Terão a chance ainda de beber na fonte dos peruanos, que, mesmo com uma realidade econômica menos favorável do que a da Áustria, conseguiram aumentar a receita do setor de resíduos, evitando o desperdício e transformando restos em gás natural. No caso da italiana Milão, seus gestores anunciam explicações sobre como converter matéria orgânica em fertilizante para praças e parques urbanos.

Infelizmente, os bons exemplos europeus e até de vizinhos da América Latina tratam de estágios distantes da realidade local. Aqui há, primeiro, que seguir itens mais básicos da cartilha sobre o destino correto de resíduos sólidos. Fechar o lixão da Estrutural e passar a operar o aterro sanitário é o mais urgente deles. Mesmo essa providência primária parece improvável a curto prazo. As obras do aterro de Samambaia estão inconclusas e não há data definida para inaugurá-lo. No lugar, haverá três valas de 5 metros impermeabilizadas e ligadas a um duto. Essa tubulação levará o chorume — líquido que se forma pela decomposição de matéria orgânica — para uma estação de tratamento. Diretor-geral do Serviço de Limpeza Urbana (SLU) do DF, Gastão Ramos reconhece que a estrutura já deveria ter sido entregue, mas divide a responsabilidade pelo atraso com gestões passadas e outros órgãos envolvidos na operação, como o Tribunal de Contas, que tem um histórico de embargos nos processos que envolvem o lixo. Ramos lembra que, durante um longo período, a administração dos resíduos no DF foi prejudicada por disputas políticas e de interesse econômico. Entre 2007 e 2010, o governo terceirizou essa tarefa a empresas mantidas por meio de contratos emergenciais, sem o expediente da concorrência pública. Essa rotina do improviso, no melhor dos cenários, facilitou o desperdício e, no pior, favoreceu o sobrepreço de serviços bancados com o dinheiro da sociedade. Hoje, cada família brasiliense desembolsa, em média, 160 reais por ano para o financiamento da limpeza pública, segundo estimativa da Secretaria de Fazenda.

Se o custo individual para os cidadãos parece não ser tão alto, a soma dos valores pagos representa uma fatia milionária no bolo do orçamento. Por ano, o GDF utiliza 390 milhões de reais para administrar seus resíduos. O valor já foi mais alto. “Cortamos 47% dos gastos administrativos. Mas ainda trabalhamos para enxugar essa estrutura e otimizar os serviços”, diz o diretor-geral do SLU. Ele afirma que, em sua gestão, tomou medidas saneadoras, como a abertura de 173 processos administrativos disciplinares. As ações internas resultaram na demissão de seis gestores a bem do serviço público. Em um futuro breve, o SLU programa pôr em operação quatro centros de triagem para acolher os catadores, hoje organizados em 32 cooperativas. Esses postos prometem oferecer espaço apropriado, máquinas de pesagem dos materiais recicláveis, refeitório e vestiário para os trabalhadores. “A gente não quer mais saber de planta que fica bonita na foto. Já passou da hora estabelecida por lei para o projeto existir na prática”, cobra Ronei Alves da Silva, que representa o Movimento Nacional de Catadores no DF.

Ao coro de Silva se une o deputado distrital Joe Valle (PSB). Ele coordena a Frente Parlamentar de Meio Ambiente na Câmara Legislativa e é autor da Política Distrital de Resíduos Sólidos. Aprovada na Casa, a lei local foi vetada pelo governador no último dia 15. “Não podemos mais evitar uma legislação que freia os desmandos do passado e põe a cidade no caminho da gestão politicamente correta do lixo”, diz Valle. VEJA BRASÍLIA teve acesso a uma auditoria inédita do Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF) que discrimina, na ponta do lápis, esses desmandos lembrados pelo político. A investigação é sobre a razoabilidade dos preços praticados em contratações emergenciais entre 2006 e 2012. Essa fiscalização dos auditores aponta superfaturamento em quatro etapas do processamento do lixo, desde a varrição de rua até o transporte dos resíduos. Trata-se de um prejuízo de 91,9 milhões de reais, atribuído às seis empresas que prestavam serviço para o SLU: Artec, Nely Transportes, Valor Ambiental, Engetécnica, Delta — que, em 2012, se envolveu em um escândalo nacional de fraudes e propinas — e Qualix, hoje em recuperação judicial. Atualmente, a maior fatia do serviço terceirizado pelo SLU está nas mãos da Sustentare, mantenedora do mesmo CNPJ da Qualix. “Hoje, nosso corpo diretivo é totalmente diferente”, afirma a assessoria de imprensa que representa a Sustentare.

A partir do relatório dos auditores, os conselheiros do TCDF determinaram ao SLU uma série de recomendações técnicas, como a fiscalização regular dos trabalhos para evitar novos episódios de desperdício e de superfaturamento. Uma sinalização clara de que, para se livrar do atraso e promover uma revolução do lixo na capital da República, governo e sociedade não poderão varrer essa sujeira para debaixo do tapete. 

http://vejabrasil.abril.com.br/brasilia/materia/os-podres-do-nosso-lixo-3100

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

SE CAVARMOS UM BURACO SAIREMOS NO JAPÃO?

Minha mãe me falava que se eu cavasse, cavasse, cavasse bem fundo... um dia sairia no Japão... Acho que ela estava errada!!!

Neste site você vai encontrar esta resposta, ao digitar um endereço ele vai encontrar seu ponto antípoda, ou seja, seu ponto contrário no globo. 

Bora lá conferir?!?


Acesse: http://www.antipodesmap.com/

domingo, 10 de agosto de 2014

EUA retomam ofensiva aérea no Iraque

Seja com Bush pai, Bush júnior, Clinton ou Obama, os Estados Unidos sempre se indispõe, em nome da "paz", com algum determinado grupo no Oriente Médio. A bola da vez é o grupo jihadista Estado Islâmico do Iraque e do Levante (EIIL) no norte do Iraque (Curdistão?!?!?!) para proteger a minoria yazidi.

Vale lembrar que, na nossa visão ocidentalizada, o termo Jihad é uma guerra, que tem o objetivo de transformar as pessoas em praticantes do islamismo e fazer com que eles pratiquem atentados e se tornem homens-bomba. 

Maomé, profeta do Islamismo, declarou que Jihad era uma guerra sagrada, que simbolizava a luta para converter o maior número de pessoas para a religião islâmica.

Já os muçulmanos, dizem que essa é uma definição equivocada, que Jihad não tem nada a ver com guerra, e sim no empenho que os praticantes devem ter em seguir a religião.

Mas quem são os Yazidis? 

Os yazidis são membros de uma das menores e mais incompreendidas religiões do Iraque - e por isso já foram perseguidos outras vezes. 

A religão dos yazidis combina elementos do zoroastrismo (prega a interpretação dualista do mundo, dividido entre as forças do bem e do mal. Os ensinamentos de Zoroastro, por volta do século VI a.C, afirmavam a existência de um deus supremo, que havia criado dois outros seres poderosos que dividiam sua própria natureza: Ormuzd seria a fonte de todo o bem, enquanto Ariman seria a origem do mal, depois que se rebeloucom Sufi Islã (o sufismo é uma linha mística do islamismo. Apesar de sua origem, sofreu perseguição dos muçulmanos em diversos momentos da história. A justificativa para isso era a ameaça ao monoteísmo do islamismo. Por outro lado, o Alcorão também serve como inspiração para o sufismo. Outra diferença do islamismo para o sufismo está na meditação, enquanto os primeiros creem que as cordas vocais e os instrumentos musicais estão ligados ao demônio, os segundos utilizam a música para alcançar um estado mental elevado que se aproxima do contato com Deus.e crenças que remontam à antiga Mesopotâmia.

Eles acreditam que Deus e 7 anjos protegem o mundo. Um deles, chamado Malak Tawous - que é representado na Terra na forma de um pavão - foi expulso do paraíso por ter se recusado a curvar-se para Adão.

Para os yazidis isso é considerado um sinal de bondade, mas os muçulmanos o enxergam como um anjo caído e enxergam os yazidis como adoradores do diabo. 

Além disso, os yazidis acreditam na reencarnação, o que faz com que o entedimento com os islâmicos seja ainda mais difícil. 

A religião tem um sistema de castas rigoroso, que determina quem pode casar com quem dentro da comunidade. Casar fora da comunidade é proibido.

Atualmente, existem cerca de 600 mil yazidis no mundo. A maioria está concentrada no Iraque, Irã, Turquia e Síria. 


Enfim, conceitos à parte, certo mesmo é o interesse dos EUA pelos recursos naturais da região e pelo incremento de sua indústria bélica (guerra é sempre lucrativo para empresários do ramo). 

Para esta semana dois artigos, um da Veja e outro da BBC, sobre os ataques. Boa leitura!!!



EUA lançam mais quatro ataques aéreos no Iraque           09/08/2014 - 21:21
Aviões e drones acertaram veículos blindados de terroristas no norte do país. ONU quer rastrear e bloquear as fontes de financiamento dos jihadistas.

Os Estados Unidos realizaram neste sábado outra série de bombardeios seletivos contra alvos do grupo jihadista Estado Islâmico do Iraque e do Levante (EIIL) no norte do Iraque para proteger a minoria yazidi que vive no Curdistão, reporta a rede CNN citando informações do Pentágono. 

O primeiro dos ataques foi feito por aviões de combate e drones (aeronaves não tripuladas), segundo o Comando Central dos Estados Unidos, encarregado do Oriente Médio.

O bombardeio teve como objetivo destruir dois veículos blindados que estavam disparando contra os yazidis perto do monte Sinjar.

Alguns minutos depois, durante outro ataque, um avião americano bombardeou e destruiu outros dois veículos blindados e um caminhão armado. 

O terceiro ataque deste sábado aconteceu quando uma aeronave americana destruiu um veículo blindado na mesma região.

Na sexta, duas séries de ataques aéreos americanos atingiram uma posição de artilharia do grupo jihadista, destruíram um comboio de militantes e mataram uma equipe de morteiro. 

Na manhã deste sábado, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, anunciou o êxito dos primeiros bombardeios seletivos contra os jihadistas do EIIL, mas reiterou a necessidade de se criar um governo de unidade no país. 

Obama fez um pronunciamento para analisar a situação na região autônoma do Curdistão iraquiano, após ter ordenado ataques aéreos e lançamentos de mantimentos para os cidadãos curdos cercados no Iraque.

“As forças americanas realizaram ataques aéreos dirigidos contra as forças terroristas nos arredores da cidade de Erbil [capital do Curdistão] para evitar o avanço sobre a cidade e para proteger nossos diplomatas americanos e o pessoal militar”, disse o presidente americano. 

Segundo Obama, os ataques “destruíram com sucesso armamento e equipamentos que os terroristas poderiam ter utilizado contra Erbil”.

Os EUA realizaram também duas séries de lançamentos de alimento e água para as dezenas de milhares de refugiados isolados no monte Sinjar, uma ajuda humanitária apoiada pelos governos da França e Grã-Bretanha.

Resolução – O Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) está estudando uma minuta de resolução apresentada pela Grã-Bretanha  para condenar a ofensiva jihadista no Iraque e tentar enfraquecê-la cortando suas vias de financiamento. O texto propõe congelar os ativos financeiros de vários dirigentes do EIIL e ameaça com sanções qualquer pessoa ou organização que forneça apoio à milícia sunita. A minuta adverte que os terroristas estão recrutando novos membros por meio da internet e redes sociais.

Além disso, encoraja os governos a propor listas de nomes com indivíduos e entidades que apoiam esse e outros grupos jihadistas para sua inclusão urgente no regime de sanções da ONU. O texto também ordena a analistas das Nações Unidas a elaboração em um prazo de 90 dias de um relatório sobre a ameaça do EIIL e suas fontes de financiamento e de armas, junto a recomendações sobre como frear seu avanço. O Conselho de Segurança, que já se reuniu nesta semana para analisar os últimos eventos no Iraque, poderia votar a proposta de resolução nos próximos dias.
(Com agências EFE e France-Presse)
http://veja.abril.com.br/noticia/internacional/eua-lancam-mais-quatro-ataques-aereos-no-iraque

EUA retomam ofensiva aérea no Iraque
Atualizado em  9 de agosto, 2014 - 21:28 (Brasília) 00:28 GMT
As Forças Armadas dos EUA anunciaram ter realizado neste sábado quatro novos ataques aéreos contra militantes do autodenominado Estado Islâmico (EI) no norte do Iraque.

Segundo um comunicado emitido pelos militares americanos, o objetivo da nova ofensiva seria defender integrantes da minoria religiosa Yazidi, que estariam sendo "atacados indiscriminadamente" perto da localidade de Sinjar.

De acordo com os EUA, em um primeiro momento caças e drones teriam destruído um tanque de guerra que estaria atirando contra civis. Em seguida, os caças americanos teriam localizado e atacado outros tanques e veículos blindados.

Esta é a terceira rodada de ataques aéreos dos Estados Unidos contra alvos no Iraque desde a última sexta-feira.

O presidente americano, Barack Obama, autorizou os ataques argumentando que eles são necessários para defender minorias étnicas ameaçadas pelo EI. 

A ofensiva marca uma novo envolvimento de forças americanas em operações militares no Iraque.

As tropas dos EUA deixaram o país no fim de 2011 e, em um pronunciamento neste sábado, Obama reiterou que não devem retornar. 

O presidente americano também disse acreditar que levará "algum tempo" para que os Estados Unidos possam ajudar o Iraque a se estabilizar.

Segundo Obama, esse seria um "projeto de longo prazo", no qual seria necessário renovar e reabastecer as Forças Armadas iraquianas, além de conquistar o apoio das populações sunitas do país. "Não acho que vamos resolver esse problema em semanas. Acho que isso vai levar algum tempo", disse o presidente dos EUA.

O avanço do EI tem forçado milhares de pessoas pertencentes a minorias étnicas a deixarem suas casas e se refugiarem nas montanhas do norte do Iraque. 

O grupo hoje controla a maior usina hidrelétrica iraquiana, fonte de água e eletricidade para grande parte do país.


Em junho, quando o EI avançou sobre Mosul, o primeiro-ministro iraquiano, Nouri Maliki, pediu a ajuda dos Estados Unidos para conter os insurgentes. Washington, porém, recusou-se a intervir.

Analistas afirmam que a ascensão dos rebeldes islâmicos, junto com o fracasso na formação de um novo governo após as eleições de abril, tenha forçado Obama a agir.

http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2014/08/140729_iraque_ataque_ru.shtml

domingo, 3 de agosto de 2014

Uma Nova Guerra Fria?

Vinte cinco anos se passaram desde a queda do Muro de Berlim e em 1991, com a dissolução da URSS, extinguia-se um período tenebroso conhecido como Guerra Fria. Corrida aeroespacial, nuclear, armamentista, Estados Unidos e a Ex-URSS promoveram, durante 45 anos, uma tensão, um equilíbrio pelo medo. 

Tempos de paz mundial? Não podemos falar nisto, uma vez que conflitos eclodiram e ainda ocorrem em várias partes do planeta. Porém, os dois grandes com poderio militar deram uma trégua que pode estar no seu fim. 

Texto único para analise da semana, a BBC aborda esta questão. O impasse com a União Europeia/ EUA/ ONU no caso da Crimeia e a queda do avião atingindo por míssil “sem pai” trazem à tona todo o pavor daquele período. Putin, um ex-agente da KGB, parece estar disposto para a briga. Obama que se cuide!

Pacto que ajudou a pôr fim à Guerra Fria está abalado?
Atualizado em  3 de agosto, 2014 - 06:39 (Brasília) 09:39 GMT
Depois que o presidente Barack Obama acusou o colega russo, Vladimir Putin, de ignorar um tratado histórico para redução de armas nucleares, nesta semana, levantou-se um debate sobre o destino da iniciativa.

O acordo de Forças Nucleares Intermediárias (INF, na sigla em inglês) foi assinado entre Mikhail Gorbachev e Ronald Reagan em 1987. Previa a remoção de parte do arsenal nuclear de EUA e União Soviética com fins de conter a ameaça para a segurança global representada pelas duas superpotências.

Considerado o "começo do fim da Guerra Fria," o Tratado INF proibiu possuir, produzir e testar mísseis nucleares de distância intermediária (entre 500 e 5,5 mil km).

"Foi um acordo fundamental na Guerra Fria. Essencialmente, eliminou uma controversa classe de armas nucleares. E, por essa razão, ainda tem repercussão", diz Nick Child, correspondente de assuntos internacionais da BBC.

Na época, o pacto foi um marco especialmente na segurança da Europa, uma vez que tanto os EUA quanto a URSS possuíam arsenal desse tipo.

A Casa Branca não tornou públicos os detalhes da sua acusação, feita no seu seu relatório anual sobre o cumprimento do controle de armas. Esses foram apresentados por Obama em uma carta a Putin, e em contato por telefone entre os ministros das Relações Exteriores, John Kerry e Sergei Lavrov.

O mal-estar contribui para o deterioro das relações EUA-Rússia, que já vinham abaladas e que foram novamente afetadas pela queda do avião da Malaysia Airlines que fazia o voo MH17, supostamente atingido por um míssil disparado por rebeldes pró-Moscou no leste da Ucrânia.

Proibições
O Tratado INF entrou em vigor em 1 de Janeiro de 1988 e previa que até 1991 fossem banidos os mísseis nucleares de distância intermediária dos Estados Unidos e da Rússia.

Tom Collina, da Associação de Controle de Armas, disse à BBC que o acordo "proibiu e eliminou todo lançamento de um míssil de alcance intermediário nos territórios americano e russo".

"Em qualquer lugar do mundo, mas na época eles estavam todos dentro e ao redor da Europa", acrescenta Hill.
Collina acredita que o tratado em questão era de vital importância, uma vez que foi primeiro a eliminar as armas nucleares e representou uma mudança nas relações entre os EUA e a União Soviética.

"Foi realmente o começo do fim da Guerra Fria, foi o símbolo da melhoria das relações entre os dois países e uma mudança dramática na União Soviética, com a chegada de Mikhail Gorbachev ao poder", acrescenta Collina. Era a primeira vez em que os Estados Unidos e a União Soviética "se propuseram a reduzir e eliminar seus arsenais nucleares", disse o especialista.

"Foi um precedente muito importante para os pactos que foram feitos mais tarde sobre a redução e a eliminação das armas nucleares com rigoroso controle."

Rússia
Apesar da diplomacia dos Estados Unidos ter se manifestado oficialmente apenas na terça-feira, divulgando a queixa, em determinados círculos o assunto já era comentado há meses. Em abril, em depoimento perante o Congresso, Anita Friedt, secretária-assistente de Política Nuclear e Estratégica, havia tratado da preocupação do Departamento de Estado sobre o assunto do Tratado INF.

"Nós comunicamos a Rússia e estamos pressionando para obter respostas claras, para resolver as nossas preocupações devido à importância do Tratado INF na segurança euro-atlântica", disse Friedt na ocasião.

Em janeiro, o jornal americano The New York Times relatou contatos de Washington com seus aliados da Otan para informar evidências de que um míssil russo levantou dúvidas sobre o cumprimento do tratado. A Rússia tem falado pouco sobre o assunto. Para o correspondente da BBC Nick Childs, Moscou terá várias soluções possíveis.

"Argumentar que os americanos estão simplesmente enganados e que seus mísseis estão abaixo da faixa de alcance proibida é uma delas", diz Childs.

"Outra possibilidade é argumentar que o tratado se tornou obsoleto, que outros países estão desenvolvendo mísseis semelhantes e que, afinal, os Estados Unidos abandonaram o tratado de mísseis balísticos quando foi conveniente."

Mas, acima de tudo, está uma das razões pelas quais a Rússia há muito tempo considera que o Tratado INF é injusto: enquanto os Estados Unidos não sofre nenhuma ameaça desses mísseis, a Rússia sofre, especialmente na China.

A tensão entre os Estados Unidos e a Rússia, por conta da crise na Ucrânia e da queda do voo MH17 da Malaysia Airlines, se intensificou com o relatório anual sobre o cumprimento do controle de armas em que a Obama acusa Moscou de violar o tratado.

http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2014/08/140731_tratado_russia_eua_kb.shtml

quarta-feira, 23 de julho de 2014

Brasil tem vitória na ONU para explorar "navio-pirata cheio de ouro"

Que a ONU é uma entidade extremamente questionada, ninguém duvida. Que é influenciada para atender interesses econômicos estadunidenses, todos têm certeza! Mas no dia de hoje o Brasil, potência emergente e dependente das exportações de commodities, conseguiu uma vitória importante para garantia de exploração de recursos naturais submersos no Atlântico. 

Vale lembrar que a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar (CNUDM) – assinada pelo Brasil em 10 de dezembro de1982 e, posteriormente, ratificada em 22 de dezembro de 1988 – já define os conceitos de mar territorial, zona econômica exclusiva e plataforma continental.

MAR TERRITORIAL: Nos termos da CNUDM (arts. 2 e 3), a soberania do Estado costeiro sobre o seu território e suas águas interiores estende-se a uma faixa de mar adjacente - mar territorial - com dimensão de até 12 milhas marítimas (1 m.m.= 1.852 metros) a partir das linhas de base1.

No mar territorial, o Estado costeiro exerce soberania ou controle pleno sobre a massa líquida e o espaço aéreo sobrejacente, bem como sobre leito e o subsolo deste mar.


ZONA ECONÔMICA EXCLUSIVA (ZEE):"A zona econômica exclusiva é uma zona situada além do mar territorial e a este adjacente..." (CNUDM, art. 55) e "...não se estenderá além de 200 milhas marítimas (370,4 km) das linhas de base a partir das quais se mede a largura do mar territorial" (CNUDM, art. 57).

A Convenção garante ao Estado costeiro "...direitos de soberania para fins de exploração e aproveitamento, conservação e gestão dos recursos naturais, vivos ou não vivos das águas sobrejacentes ao leito do mar, do leito do mar e seu subsolo..." (CNUDM, art. 56, par. 1, alínea a).

Além das 200 m.m., ou seja, em águas internacionais, o país "descobridor do navio-pirata cheio de ouro" tem direito a exploração desde que seja autorizado pela Autoridade Internacional de Fundos Marinhos (Isba/ONU). E nós conseguimos!!! 



Brasil obtém permissão da ONU para explorar minério em fundo do oceano
Atualizado em  23 de julho, 2014 - 18:25 (Brasília) 21:25 GMT

O Brasil foi autorizado por um braço da ONU a explorar recursos minerais em águas internacionais do oceano Atlântico, levantando tanto potenciais ganhos econômicos quanto preocupações ambientais.

Essa mineração submarina é considerada uma nova fronteira na busca por metais preciosos, como manganês, cobre e ouro, que se tornaram essenciais na economia mundial moderna.

A permissão foi concedida pela Autoridade Internacional de Fundos Marinhos (Isba), órgão vinculado à ONU, e confere ao país o direito de atuar por 15 anos em uma área de 3 mil quilômetros quadrados na região do Atlântico conhecida como Elevação do Rio Grande, localizada a cerca de 1,5 mil km da costa do Rio de Janeiro.

O pedido foi feito em dezembro pelo Serviço Geológico do Brasil (CPRM) em nome do Ministério de Minas e Energia, depois do investimento de R$ 90 milhões ao longo de quatro anos de estudos sobre o potencial geológico desta área.

Potencial econômico
O Brasil poderá estudar as chamadas crostas ferromanganesíferas ricas em cobalto em projetos de mineração submarina. Segundo o CPRM, esses depósitos foram identificados como os de maior potencial econômico e estratégico em levantamentos realizados em expedições a essa região.

"Nestes 15 anos, mapearemos o que existe lá e avaliaremos seu potencial econômico. Depois, podemos entrar com um novo pedido para explorar economicamente", afirma à BBC Brasil Roberto Ventura Santos, diretor de geologia e recursos minerais do CPRM.

"As possibilidades são interessantes, porque é uma região rica em elementos químicos usados na indústria, especialmente nas de alta de tecnologia, na produção de chips, peças de usinas eólicas e carros elétricos."

Santos afirma ainda que o Brasil ampliará seu conhecimento técnico sobre este tipo de mineração submarina, formará profissionais capacitados a trabalhar nesta área e criará tecnologia para tal.

"Somos o primeiro país da América Latina a conseguir essa permissão e, assim, entramos no seleto grupo de países que fazem este tipo de exploração, como Japão, Estados Unidos e China", diz Santos.

Novas permissões
Além do Brasil, a ONU concedeu outras seis novas permissões a empresas públicas e estatais do Reino Unido, Cingapura, Ilhas Cook, Índia, Alemanha e Rússia.

Com isso, a área total do leito oceânico liberada para exploração foi ampliada para 1,2 milhão de quilômetros quadrados, sob um total de 26 permissões de exploração científica.

A ONU ainda não conferiu nenhuma permissão de exploração econômica, conhecida como explotação, mas as primeiras devem ser concedidas nos próximos anos, segundo a Isba.

"Existe um interesse crescente", disse Michael Lodge, da Isba, à BBC. "A maioria dessas últimas permissões foi concedida a empresas que esperam minerar estas áreas em pouco tempo".

No entanto, ainda precisam ser negociadas as condições e regras dessa atividade econômica, como por exemplo a divisão de royalties, já que um dos princípios básicos da Isba é que as riquezas do fundo do oceano devem ser compartilhadas globalmente.

A exploração mineral do fundo oceano começou a ser investigada na década de 1960, mas só recentemente tornou-se possível graças a avanços tecnológicos – criados nas indústrias de petróleo e gás. Ao mesmo tempo, o preço destas matérias-primas aumentou, também as chances de se obter um bom retorno econômico, o que viabilizou os investimentos necessários para obtê-las.
Impacto ambiental

No entanto, esse tipo de exploração não é vista com bons por grupos de defesa do meio ambiente, que alegam que a exploração pode trazer prejuízos para ecossistemas marinhos.

Um protocolo para minimizar o impacto ambiental ainda está sendo estudado.

O biólogo marinho Jon Copley, da Universidade de Southampton, vem monitorando a mineração nas chamadas dorsais oceânicas, nome dado às cadeias de montanhas submersas que se originam do afastamento de placas tectônicas.

"Cerca de 6.000km de dorsais oceânicas, ou 7,5% do total, são exploradas hoje por seu potencial mineral", afirma Copley.

"Essas dorsais são um dos três locais do fundo do oceano em que há depósitos mineirais que atraem o interesse de países e empresas. Mas também vivem nestes locais colônias de espécies que não são encontradas em outras partes do oceano e podem ser suscetíveis a impactos ambientais gerados pela mineração."

Santos, da CPRM, diz que isso será levado em conta no caso brasileiro: "Faremos um estudo de impacto ambiental junto com o de potencial econômico. Nosso pedido foi muito elogiado por causa disso".
Com reportagem de David Shukman, editor de ciência da BBC News, e Rafael Barifouse, repórter da BBC Brasil.

http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2014/07/140723_mineracao_submarina_brasil_rb.shtml

Brasil recebe autorização da ONU para explorar recursos no fundo do mar

País obtém direitos sobre área de 3 mil quilômetros quadrados em águas internacionais no Atlântico Sul com minérios ricos em cobalto
POR CESAR BAIMA
23/07/2014 15:32 / ATUALIZADO 23/07/2014 18:15


RIO – O Brasil está pronto para ingressar em uma das últimas fronteiras na busca por recursos naturais valiosos no planeta, o fundo do mar. No início desta semana, a Autoridade Internacional para o Leito Marinho (Isba, na sigla em inglês), entidade ligada à ONU, aprovou pedido do Serviço Geológico do Brasil (CPRM) para pesquisar e explorar uma área de 3 mil quilômetros quadrados na chamada Elevação do Rio Grande, localizada a 1,5 mil quilômetros da costa do estado do Rio de Janeiro em águas internacionais no Atlântico Sul.

O plano da CPRM tem como objetivo futuros projetos de mineração submarina de crostas ferromanganesíferas ricas em cobalto, depósitos identificados como de maior potencial econômico e estratégico em levantamentos preliminares realizados após diversas expedições ao local. Pelos termos da concessão, o Brasil terá 15 anos para pesquisar 150 blocos, cada com 20 quilômetros quadrados, reunidos em oito grandes grupos.

Segundo a CPRM, o trabalho permitirá ao país aumentar seu conhecimento estratégico sobre recursos existentes na região próxima à plataforma continental brasileira por meio da coleta de dados ambientais, do estudo do seu potencial econômico e desenvolvimento de pesquisas oceanográficas e ambientais, ampliando a presença brasileira no Atlântico Sul.

Nos últimos quatro anos, o governo brasileiro investiu cerca de R$ 90 milhões em pesquisas no Atlântico Sul com foco da exploração mineral do leito oceânico, que também está atraindo o interesse de diversos países. Para este ano, estão previstos mais R$ 20 milhões e, com a aprovação do pedido brasileiro pela Isba, a CPRM vai investir em pesquisas só na Elevação do Rio Grande mais R$ 11 milhões nos próximos cinco anos.


http://oglobo.globo.com/sociedade/ciencia/brasil-recebe-autorizacao-da-onu-para-explorar-recursos-no-fundo-do-mar-13352605#ixzz38LTMIfoS

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Cúpula do Brics e a criação do chamado Novo Banco de Desenvolvimento (NBD)

Neste mês de julho, foi realizado a VI Cúpula dos Brics, tendo como tema “Crescimento Inclusivo: Soluções Sustentáveis”. 

O BRICS é um agrupamento econômico atualmente composto por cinco países: Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. 

Detentores de mais de 21% do PIB mundial, este o grupo de países foram os que mais crescem no planeta. Além disso, representam 42% da população mundial, 45% da força de trabalho e o maior poder de consumo do mundo. 

Destacam-se também pela abundância de suas riquezas nacionais e as condições favoráveis que atualmente apresentam para explorá-las.

Sobre os resultados e repercussões deste encontro, selecionei dois textos que dão ênfase a criação do Novo Banco de Desenvolvimento que irá financiar projetos de infraestrutura e desenvolvimento sustentável. 

Boa Leitura e até breve!


Banco dos Brics busca alternativa a hegemonia de países ricos
Ruth Costas e João Fellet
Da BBC Brasil em São Paulo e Brasília
Atualizado em  15 de julho, 2014 - 16:34 (Brasília) 19:34 GMT

Os chefes de Estado dos países membros dos Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) assinaram nesta terça-feira um tratado para a criação de um banco de desenvolvimento que financiará obras de infraestrutura em países pobres e emergentes.

Batizada de Novo Banco de Desenvolvimento (NBD), a instituição terá sede em Xangai, na China. A presidência do banco será rotativa entre os membros, e a Índia será o primeiro país a chefiá-lo.

Acredita-se que o novo banco possa representar uma equivalente "emergente" ao Banco Mundial, um órgão internacional tradicionamente dirigido por um representante dos Estados Unidos, com aporte americano significativo.

O acordo que formalizou a criação do banco foi assinado durante o 6º Fórum dos Brics, em Fortaleza.

Participaram do encontro, além da presidente Dilma Rousseff, o novo premiê indiano, Narendra Modi, e os presidentes Vladimir Putin, da Rússia, Xi Jinping, da China, e Jacob Zuma, da África do Sul.

Alternativa
Pelo arranjo, o Brasil poderá indicar o presidente do conselho de administração do banco. O país pleiteava a presidência do banco, mas acabou cedendo para a Índia.

A Rússia poderá nomear o presidente do conselho de governadores, e a África do Sul sediará um Centro Regional Africano da instituição.

O capital inicial do banco será de US$ 50 bilhões, dividido igualmente entre os membros do Brics.

Em discurso na cúpula, a presidente Dilma Rousseff disse que o banco "representa uma alternativa para as necessidades de financiamento de infraestrutura nos países em desenvolvimento, compreendendo e compensando a insuficiência de crédito das principais instituições financeiras internacionais".

Na reunião, além da abertura do banco, os líderes acertaram a criação de um fundo para socorrer membros dos Brics que passem por riscos de calote.

O fundo, batizado de Arranjo de Contingente de Reservas (ACR), será composto por US$ 100 bilhões: US$ 41 bilhões virão da China; Brasil, Rússia e Índia, entrarão com U$ 18 bilhões cada; e África do Sul, com US$ 5 bilhões.

O NBD e o ACR foram construídos à semelhança do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional (FMI), como admitiu recentemente o subsecretário-geral político do Ministério das Relações Exteriores, embaixador José Alfredo Graça Lima.

Mais voz
Os membros do Brics reivindicam mais voz nas duas grandes instituições financeiras globais.

Na declaração da cúpula em Fortaleza, eles se disseram “desapontados e seriamente preocupados com a presente não implementação das reformas do Fundo Monetário Internacional (FMI) de 2010, o que impacta negativamente na legitimidade, na credibilidade e na eficácia do Fundo”.

Para serem concretizadas, as reformas acordadas ainda precisam ser aprovadas pelo Congresso dos Estados Unidos.

Na declaração, os membros do Brics também cobraram o Banco Mundial a democratizar sua estrutura de governança, fortalecer sua capacidade financeira e ampliar o financiamento para o desenvolvimento e difusão do conhecimento.

Os Brics expressaram a expectativa de que o Banco Mundial inicie "assim que possível" trabalhos de revisão acionária que também ampliem o poder de países emergentes na instituição.

'Barganha política'
Segundo Paulo Visentini, professor de Relações Internacionais da UFRGS, e Alcides Vaz, professor de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (UnB), a criação do banco faz parte de uma barganha política.

Uma das poucas demandas comuns dos Brics diz respeito à necessidade de reformas em instituições de governança política e econômica globais. Em especial, os cinco reivindicam mais voz no Banco Mundial e também no FMI (Fundo Monetário Internacional) – este, um órgão tradicionalmente comandado por um representante europeu.

"A criação desse banco pode ser um marco histórico importante: se ele de fato sair do papel será a primeira vez que países emergentes criam uma instituição desse porte, com mandato para atuar em diversos continentes", acredita Visentini.

"Com a criação do banco, os Brics estão dizendo que se os Estados Unidos e a Europa não modificarem o perfil dessas instituições, eles vão criar suas próprias instituições", diz ele.

"Há uma tentativa de relativizar mecanismos tradicionais (de atuação econômica e política) e explorar alternativas a esses mecanismos nos quais emergentes não têm muito espaço", acrescenta Vaz.

Mas o novo banco já nasce com uma série de questionamentos – entre eles o temor de que ele se transforme em um veículo para ampliação da influência chinesa e não venha a fomentar o desenvolvimento a que se propõe.

Dúvidas
Para Oliver Stuenkel, professor da Fundação Getúlio Vargas, e Marcos Troyjo, especialista em Brics da Universidade Columbia, nos EUA, existe de fato a possibilidade de que a China tenha uma influência excessiva sobre o banco.

O PIB da China é maior que o de todas as outras economias do Brics juntas e também é o que mais cresce – expandindo-se a uma taxa de mais de 7% ao ano,

"Esse novo banco pode permitir a China investir em alguns países em que hoje há receio da ‘invasão chinesa’", diz Stuenkel, explicando que, com envolvimento do banco, os investimentos chineses teriam uma "cara" mais multilateral.

Stuenkel diz que em uma tentativa de evitar um peso excessivo da China no banco dos Brics, o Brasil teria insistido desde o início do projeto que o seu capital inicial fosse aportado igualmente pelos cinco países do clube emergente – embora os chineses tivessem condições de colocar muito mais dinheiro.

ONGs e movimentos da sociedade civil que fazem um encontro paralelo à cúpula de chefes de Estado em Fortaleza ressaltam a necessidade de garantir que os projetos financiados pelos recursos do banco realmente promovam "desenvolvimento".

"O problema é que, ao que tudo indica, esse banco vai continuar a financiar megaprojetos de infraestrutura que só beneficiam os líderes políticos e as empresas neles envolvidas", diz Carlos Tautz, do Instituto Mais Democracia.

"Ninguém está falando em financiar hospitais, escolas ou saneamento básico para beneficiar diretamente as populações desses países."

Histórico
O projeto do banco dos Brics vem sendo discutido desde 2012.

No ano passado, em Durban, na África do Sul, os cinco países deram sinal verde tanto para essa iniciativa quanto para o ACR.

"Desde Durban, já avançamos muito", disse uma fonte ligada ao Itamaraty. "Há um ano tínhamos pouco mais que uma página em branco.”

As duas instituições foram construídas à semelhança do Banco Mundial e do FMI, como admitiu recentemente o subsecretário-geral político do Ministério das Relações Exteriores, embaixador José Alfredo Graça Lima.

"O objetivo não é substituir essas instituições, mas suplementar, apoiando projetos de infraestrutura e desenvolvimento sustentável em países do Brics ou em países emergentes, importantes para o Brics", explicou.

O Brasil teria sido o único país que não apresentou uma proposta de sede.

Para Troyjo, da Universidade Columbia, foi uma decisão míope.

"Não pleitear uma sede brasileira só pode ser resultado de uma falta de visão de longo prazo, uma hipertrofia da agenda imediata do país, porque essa pode ser uma instituição multilateral de peso em alguns anos", opina.

Razões
Mas, afinal, para que países como Brasil, Índia e China – que já tem seus bancos de desenvolvimento - precisam de um novo banco para financiar projetos de infraestrutura?

Além da razão política de criar uma alternativa à hegemonia americana e europeia no sistema financeiro internacional, do ponto de vista financeiro, o banco dos Brics poderia receber uma classificação de risco melhor que os países do grupo para captar dinheiro no mercado a custo menor.

Para Troyjo, a escolha dos Brics por uma estratégia de construção institucional também ajudaria a tirar a atenção da questão do crescimento econômico – que motivou a criação do acrônimo Brics - em um momento em que os cinco países estão desacelerando (embora isso para a China signifique uma expansão de mais de 7% ).

Stuenkel, da FGV, concorda que a institucionalização é uma saída para dar relevância ao grupo e garantir a cooperação entre países de interesses econômicos e políticos tão díspares. "O banco ajuda a assegurar que o grupo continuará existindo. Os cinco países estarão assumindo um compromisso firme, de longo prazo, que exigirá o encontro frequente de suas autoridades."

Vaz enfatiza que os cinco países do Brics nunca tiveram como ambição falar em uma única voz no que diz respeito a temas políticos da agenda internacional.

"Não há programa de integração política: são países politicamente diferentes, com interesses diferentes e culturas diferentes", reforça José Botafogo Gonçalves, ex-ministro de Indústria e Comércio Exterior e ex-embaixador do Brasil na Argentina.

Ainda assim, Gonçalves acredita que essas diferenças não impedem que os integrantes do bloco construam uma agenda conjunta em torno de temas como desenvolvimento sustentável, investimentos em infraestrutura, transporte e energia.

"O banco dos Brics seria um resultado concreto da cooperação. O G7 (grupo das nações mais industrializadas e desenvolvidas economicamente), por exemplo, nunca conseguiram nada nessa linha", opina Troyo.
http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2014/07/140711_banco_brics_ru.shtml


Edição do dia 16/07/2014 16/07/2014 20h31 - Atualizado em 17/07/2014 19h59
Cúpula do Brics: veja as principais decisões do encontro de países
Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul iniciam nova fase do Brics. Chefes de Estado anunciam fundo de reserva e banco de investimento.

Fortaleza sediou nesta semana a VI Conferência de Cúpula do Brics, grupo de países formado por Brasil, Rússia, Índia  , China e África do Sul. O tema do encontro neste ano foi crescimento com inclusão social e desenvolvimento sustentável.

Os chefes de Estado dos cinco países iniciaram uma nova fase do Brics. Além da criação de um fundo de reserva de US$ 100 bilhões, eles lançaram um banco de investimentos, com aporte inicial de US$ 50 bilhões.

1º dia (14/07): Encontro Empresarial
Um fórum empresarial abriu o encontro com 700 empresários das 602 maiores empresas dos cinco países. A expectativa da Confederação Nacional da Indústria era de que US$ 3,9 bilhões fossem negociados durante as reuniões.

A presidente Dilma Rousseff e o presidente da Rússia, Vladimir Putin, se reuniram em Brasília, antes de seguirem para a reunião de cúpula. Eles assinaram nove atos de cooperação, entre acordos comerciais, intercâmbio de informações e cooperação nas áreas de tecnologia, defesa e energia.

Entre os acordos, foi firmado um plano para promover o comércio e aumentar investimentos entre os dois países, elevando o patamar comercial para US$ 10 bilhões.

"Brasil está sendo pressionado a apoiar a anexação da Crimeia"
Renato Galeno/  comentarista de assuntos internacionais

"O grupo não é muito coeso. É um grupo que sempre foi frágil"
Antonio Carlos Manfredini/ professor de Economia Internacional da FGV/SP

2º dia (15/07): Criação de fundo e banco de investimentos
Após dois anos de discussões, os chefes de Estado do Brics assinaram um acordo que oficializa a criação do chamado Novo Banco de Desenvolvimento (NBD). Com um aporte inicial de US$ 50 bilhões, podendo chegar a US$ 100 bilhões, o NBD tem o objetivo de financiar projetos de infraestrutura no Brics e até em países que tenham empresas do grupo.

A China venceu a disputa para sediar a instituição, que ficará em Xangai. O primeiro presidente será indiano. O Brasil ficou com a presidência do Conselho de Administração do banco. O mandato dos dirigentes será de cinco anos, não prorrogáveis.

Um fundo de reserva de US$ 100 bilhões também foi criado para eventuais problemas financeiros dos países do grupo, servindo como uma alternativa ao Fundo Monetário Internacional.
O governo chinês vai repassar US$ 41 bilhões ao fundo. Rússia, Índia e Brasil cederam US$ 18 bilhões cada. Já o mais novo integrante do grupo, a África do Sul, deu US$ 5 bilhões.

“Divisão igualitária ensina algo aos líderes europeus e americanos”
Flávia Oliveira/ comentarista de economia

“É um passo institucional importante para melhorar o equilíbrio de forças”
Thais Herédia/ comentarista de economia


3º dia (16/07): Cooperação com países da América do Sul
Os cinco chefes de Estado do Brics e de onze países da América do Sul se reuniram no Palácio do Itamaraty, sede do Ministério das Relações Exteriores, em Brasília. Eles passaram o dia discutindo o aumento da cooperação entre os países.

Pela manhã, a presidente Dilma Rousseff e o primeiro-ministro da Índia, Nerendra Modi, fecharam acordos nas áreas de meio ambiente e relações diplomáticas para facilitar o fluxo de pessoas entre os dois países.

No Palácio do Itamaraty, a criação do Novo Banco de Desenvolvimento, formalizada no dia anterior e apoiada pelos países sul-americanos, foi o tema principal.

A presidente Dilma Rousseff afirmou que o banco vai criar uma rede de proteção para os países do grupo. Ela rebateu a visão de que o Brasil teria sofrido uma derrota ao ceder a presidência da instituição para a Índia.


http://g1.globo.com/globo-news/noticia/2014/07/cupula-do-brics-veja-principais-decisoes-do-encontro-de-p

domingo, 13 de julho de 2014

Hamas e Israel: uma disputa além da Copa

Enquanto realizamos a Copa das Copas, nossos amigos do Hamas/ Palestinos e Israel travam uma outra disputa muito mais tensa. 

Sem abarcar os motivos históricos e geopolíticos, a mídia vem apresentando o fim do cessar fogo, entre os dois grupos, como uma repercussão dos sequestros de jovens das duas etnias. Mas será só isto mesmo? 

Quem é o Hamas? Paz ou Guerra: o que é melhor para o grupo sunita? E Israel, será tão vítima como a mídia propõem? 

Para esta semana, três textos sobre o tema, que foi pouquíssimo abordado pela mídia televisiva. O Segundo, da BBC, é o mais completo e objetivo para nossas discussões. 

Boa Leitura!

Edição do dia 10/07/2014 10/07/2014 20h29 - Atualizado em 13/07/2014 18h48
Entenda o caso: aumenta a violência entre israelenses e palestinos
Morte de quatro adolescentes agrava tensão no Oriente Médio.
Especialistas comentam escalada da violência nos dois lados da fronteira.

A violência no Oriente Médio voltou a crescer depois do assassinato de três adolescentes israelenses e de um palestino, de 16 anos.
Os três adolescentes israelenses foram sequestrados no dia 12 de junho, quando pediam carona na cidade de Hebron, no Sul da Cisjordânia, para ir a Jerusalém. O desaparecimento dos jovens comoveu o país.
governo israelense acusou o grupo islâmico Hamas, que não confirmou nem negou envolvimento com o caso. Depois de 18 dias de buscas, os corpos dos três adolescentes foram encontrados, com marcas de tiros.

No dia 1º de julho, um adolescente palestino foi sequestrado e morto em Jerusalém Oriental, após ser torturado e queimado vivo, acirrando ainda mais a tensão entre os países, com bombardeios e protestos nas ruas.
O crime provocou a suspeita de que teria sido uma vingança pelo assassinato dos adolescentes israelenses. Três judeus de extrema-direita estão presos pelo crime.
Um vídeo mostrando policiais israelenses espancando um jovem com brutalidade agravou o clima de hostilidade. A vítima era um americano de origem palestina em visita de férias, primo do adolescente queimado vivo.
Desde a madrugada da última terça-feira (8), quando Israel começou uma nova operação militar na Faixa de Gaza, mais de 1.300 ataques contra supostos alvos do Hamas foram realizados. Os militantes palestinos responderam aos ataques, lançando mais de 800 foguetes contra cidades israelenses.
Na quinta-feira (10), o Conselho de Segurança da ONU realizou uma reunião de emergência para discutir a crise no Oriente Médio. O secretário-geral Ban Ki-moon fez um apelo por um cessar-fogo imediato.
A ofensiva israelense, com intensos ataques aéreos, já deixou ao menos 160 palestinos mortos e mais de 600 feridos nos últimos seis dias.

http://g1.globo.com/globo-news/noticia/2014/07/entenda-o-caso-aumenta-violencia-entre-israel-e-palestina.html

O que o enfraquecido Hamas pode ganhar com o conflito entre Israel e Palestina?
Atualizado em  12 de julho, 2014 - 10:24 (Brasília) 13:24 GMT

Israel e militantes palestinos continuaram a trocar ataques durante a noite. Centenas de mísseis e foguetes foram disparados desde que Israel iniciou sua operação há cinco dias, após acusar o Hamas pelo sequestro e morte de três jovens israelenses em junho.

Fontes palestinas dizem que 123 palestinos foram mortos. Segundo a ONU, mais de três quartos são civis. O Exército de Israel afirma que acertou mais de 60 alvos "terroristas" com ataques aéreos e que seis foguetes atingiram Israel no sábado.

Não há nenhum sinal de que ambas as partes concordem com um cessar-fogo, apesar de intensa diplomacia nas Nações Unidas.
O enfraquecimento recente do Hamas é um dos fatores que vai dificultar a contenção da nova escalada de violência entre Israel e Palestina, analisa do correspondente da BBC em Jerusalém Kevin Connolly.
Após perder apoio - e consequentemente dinheiro - de países como Irã, Síria e Egito, o grupo militante está fragilizado, e a intensificação recente do conflito pode ser uma forma de exigir concessões.
O último cessar-fogo não deu em nada - não apenas por causa do que aconteceu nas últimas semanas, mas porque as mudanças mais amplas no cenário político do Oriente Médio criaram enormes pressões sobre o Hamas.
A ligação entre o sequestro dos três adolescentes israelenses e a escalada repentina de hostilidades com Gaza é bastante simples.
Israel culpou o Hamas pelos sequestros e inundaram a Cisjordânia com soldados que encurralaram centenas de ativistas do Hamas. Os palestinos viram as prisões como uma punição coletiva ao invés de uma verdadeira busca por evidências.
A única ferramenta que o Hamas tinha à sua disposição para responder era o lançamento de foguetes a partir de Gaza - e essas prisões foram motivo suficiente para que o bombardeio se intensificasse.

Primavera Árabe
As mudanças mais amplas no Oriente Médio ajudam a explicar por que um Hamas enfraquecido pode ver um valor estratégico na escalada do conflito com Israel.
A organização foi muito afetada pelas reviravoltas da Primavera Árabe, que deixaram o grupo com poucos aliados e dinheiro.
No passado, o Hamas teve o apoio do Irã e da Síria. Mas o grupo é um ramo da organização sunita Irmandade Muçulmana e - quando ficou do lado de líderes rebeldes sunitas que se opõem ao presidente da Síria Bashar al-Assad e a seus aliados xiitas em Teerã - o Irã respondeu desligando as torneiras financeiras. O Irã costumava doar até US$ 20 milhões por mês - o suficiente para manter em funcionamento o governo em Gaza.
Isso não importava tanto enquanto Mohammed Morsi da Irmandade Muçulmana comandava o Egito. Ele é fortemente identificado com o Hamas e manteve abertos alguns túneis sob a fronteira de Gaza, por onde entram armas e itens básicos de consumo cuja comercialização gera receita para o Hamas por meio de impostos.
Mas o novo governo egípcio de Abdul Fattah al-Sisi considera a Irmandade Muçulmana e o Hamas como organizações terroristas e fechou muito mais túneis.
Desesperado, o Hamas chegou a uma espécie de reconciliação política com o seu rival Fatah, grupo por trás da Autoridade Palestina, que hoje administra a Cisjordânia sob a ocupação israelense.
Até agora, no entanto, essa ligação não trouxe ao Hamas benefícios concretos e subsistem diferenças enormes entre os grupos palestinos rivais.

Exigências para trégua?
O reinício do lançamento de foguetes não vai resolver esses problemas imediatamente. Mas os líderes militantes do Hamas podem estar calculando que a visão de civis palestinos que sofrem sob bombardeio aéreo terrível forçará a Autoridade Palestiniana a prestar maior solidariedade e os governos árabes a mostrarem mais apoio.
Hamas pode avaliar que havia poucas vantagens em manter a paz uma vez que as hostilidades podem abrir espaço para a exigência de concessões exatamente para encerrar os conflitos.
Israel, por sua vez, está desesperado para interromper os ataques de foguetes e danificar o Hamas.
Para o mundo exterior, os foguetes de Gaza podem parecer ineficazes - muitos são caseiros e Israel consegue contê-los com seu sistema de defesa antimíssil.
Mas os civis israelenses estão preocupados com a intenção por trás dos foguetes, e não com sua eficácia militar. Eles estão totalmente familiarizados com o ritual de correr para o abrigo com os filhos quando ouvem o alerta de 15 segundos - e querem que seu governo coloque um fim nisso.
O problema é que não há maneira fácil.
Os sistemas de armas modernos não são totalmente precisos como alguns acreditam e, inevitavelmente, ataques aéreos matam pessoas inocentes.
Israel pode argumentar que está tentando evitar vítimas civis, enquanto o Hamas está tentando causá-las. Mas imagens de televisão de civis mortos em Gaza - especialmente de crianças – influenciam as percepções sobre Israel ao redor do mundo.

Opções difíceis
Fontes israelenses dizem que grupos militantes em Gaza provavelmente têm dez mil foguetes e admitem que não sabem onde alguns - de mais de longo alcance - estão ocultos. Encontrá-los e destruí-los com ataques aéreos pode levar um tempo muito longo. As baixas civis cresceriam, assim como a crítica internacional.
E o envio de tropas terrestres não parece uma opção atraente também. Primeiro, é preciso decidir que escala de operação será lançada - uma série de incursões em depósitos de armas conhecidos? Ou uma grande reocupação de todo o território com todos os perigos e responsabilidade que isso traz?
Haveria mais mortes de civis, tornando-se uma tarefa difícil para a opinião internacional. E haveria baixas militares israelenses também - o que poderia levantar críticas em casa também.
O governo de Israel estabeleceu um tarefa difícil para si ao falar em pôr fim ao lançamento de foguetes de vez, e não apenas se contentar com uma trégua de algumas semanas ou meses.
Isso pode ser muito difícil de conseguir. Muitos dos foguetes em Gaza são armas caseiras. E se Israel fizer uma operação enorme e, em seguida, receber uma chuva de foguetes caseiros uma semana ou um mês depois? Então, Israel terá que empreender uma campanha sem uma estratégia clara de saída no local.

Possíveis mediadores
A imagem de Benjamin Netanyahu no resto do mundo pode ser a do direitista intransigente, mas seu instinto político é, provavelmente, o de balancear entre as visões conflitantes dentro do Israel.
É difícil ver o que seria uma vitória do seu ponto de vista. No momento, parece que não há muito sendo feito nos bastidores para manobrar um cessar-fogo.
Egito e Qatar são os mediadores mais prováveis. Egito tem contatos com ambos os lados e intermediar uma solução aumentaria a sua posição diplomática no Oriente Médio. Por outro lado, pode estar confortável em ver o potencial militar do Hamas se degradar por mais algum tempo.
Portanto, não é difícil de desvendar as grandes mudanças estratégicas e pequenos atos de ódio que conspiraram para provocar esta última rodada de hostilidades. Mas é muito difícil ver qual a combinação de circunstâncias poderá levá-las a um fim.

http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2014/07/140712_hamas_israel_ms.shtml


Conflito se agrava e cessar-fogo entre Israel e Hamas parece distante
Atualizado em  13 de julho, 2014 - 09:42 (Brasília) 12:42 GMT
A madrugada de domingo foi marcada pelo pior bombardeio à Gaza desde que Israel começou sua operação, no dia 8 de julho.

Israel realizou ataques aéreos durante a noite contra delegacias de polícia e o quartel de segurança de Gaza. Tropas também invadiram uma área de Gaza usada para disparar foguetes de longo alcance contra Israel, informou o país.
Pelo menos 159 palestinos morreram desde o início dos ataques aéreos, afirmam autoridades palestinas. Segundo essas fontes, um dos ataques recentes matou 17 membros de uma mesma família.
Mas, apesar da escalada de violência e do pedido do Conselho de Segurança da ONU pela interrupção dos ataques, um acordo de cessar-fogo ainda parece distante, analisa Jeremy Bowen, editor da BBC para o Oriente Médio.


Guerras entre Hamas e Israel tendem a terminar com algum tipo de cessar-fogo, ele explica. Fatores que influenciam o tempo que levam para fechar um acordo incluem a quantidade de sangue derramado e a quantidade de pressão internacional sobre ambos os lados.
Parece que este ponto que ainda não foi alcançado, nota Bowen. "O cessar-fogo envolve uma certa perda de prestígio, pois os líderes recuam da retórica que disparam quando os ataques militares começam".
"Nenhum dos lados está pronto para isso ainda - este conflito ainda deve piorar antes que a pressão por um cessar-fogo se torne incontestável", acredita o editor.

Autodefesa
Ambos os lados reivindicam o direito de autodefesa. Como sempre, no entanto, Israel está matando muitos mais do que o Hamas, ele observa.
"Isso não acontece por causa de qualquer falta de intenção do lado do Hamas e outros grupos militantes em Gaza. É porque o Estado de Israel é massivamente mais potente, e gasta milhões em defesa civil."
Por muitos anos, cada nova casa de Israel foi construída com um quarto à prova de explosão.
Em Sderot, a cidade israelense mais próxima à Gaza, até as paradas de ônibus parecem blocos de concreto.
Israel também tem um sistema antimíssil eficaz, o Iron Dome, em grande parte pago pelos Estados Unidos.

Falta de mediadores
Uma complicação adicional é que a negociação de cessar-fogo exige mediadores, e não há ninguém óbvio para fazer o trabalho. Os americanos têm se oferecido, mas ainda seria preciso outro mediador, a menos que os Estados Unidos retiram a proibição de contato direto com o Hamas.
A última rodada de combates entre o Hamas e Israel, em 2012, terminou com um acordo de cessar-fogo mediado pelo então presidente do Egito, Mohammad Morsi.
A então Secretária de Estado dos Estados Unidos, Hillary Clinton, o agradeceu calorosamente por seus esforços na época. Mas Morsi foi retirado do poder por um golpe militar há um ano, e está na cadeia.
Israel insiste que vai ficar no ataque para proteger o seu povo e para forçar o Hamas e outros grupos militantes a parar de atirar foguetes contra Israel.
O Hamas estabeleceu condições para um cessar-fogo, incluindo o fim imediato dos ataques israelenses, bem como a libertação de prisioneiros palestinos que foram presos novamente depois de terem sido libertados em troca da soltura do refém israelense Gilad Shalit.
"Se tudo isso soa familiar, é porque é. Até agora, a crise tem sido muito semelhante a de 2012, quando o Hamas e Israel lutaram pela última vez em Gaza e em seu redor", destaca Bowen.

Ataques
As forças militares israelenses dizem já ter atingido 1.320 áreas de "terror" em toda a Faixa de Gaza, enquanto o Hamas teria lançado mais de 800 foguetes contra Israel.
Na manhã deste domingo, os ataques aéreos israelenses destruíram a maioria das sedes de segurança e delegacias de polícia administradas por militantes islâmicos do Hamas, relatou o correspondente da BBC em Gaza Rushdi Abu Alouf.
Houve grandes danos às casas adjacentes ao complexo de segurança, que está localizada no bairro densamente povoado de Tel al-Hawa, no sul de Gaza.
Pelo menos cinco israelenses foram feridos esta semana por foguetes e mísseis, dois deles gravemente, mas nenhum israelense foi morto pelos ataques.
Fontes palestinas dizem que mais de 1.000 pessoas foram feridas em Gaza desde que Israel iniciou sua operação há seis dias.
Israel iniciou sua operação há seis dias, após acusar o Hamas pelo sequestro e morte de três jovens israelenses em junho.

http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2014/07/140713_gaza_cessar_fogo_ms.shtml